domingo, 9 de setembro de 2012

THE SMOKE


... Escondia-se atrás da fumaça  de seu cigarro e, cada vez mais, aspirava profundamente perdida em seus pensamentos distantes que nunca pude entender !
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Ficava ali ao seu lado observando  silenciosamente, apesar de inconformado com aquela rotineira fuga para esse mundo  desconhecido e sinistro... ela, às vezes, desviava o olhar, para o nada,  com um tímido sorriso e soluço... enquanto a fumaça tomando  formas diversas vagarosamente desprendendo-se no ar "aromatizando" todo o ambiente.

O que haveria em seus pensamentos que, mesmo consciente do caminho obscuro, trilhava confiante (?) à procura  do... não sei dizer "do quê" mas, certamente, à procura de algo que parecia tão necessário, desejado, de tal forma que nada ao seu redor fazia qualquer outra importância ?

- Você gostaria tomar um lanche ?
- Não ! Não estou com fome ! Talvez um café !
- Um café ? Mas você já tomou tantos café e não se alimentou direito ainda...
- Não tenho fome. Se quiser fazer um  café...

Mais uma vez, mesmo contrariado e preocupado, fui fazer um  café.  Pensei, talvez, adicionar um pouco de creme ou mesmo de leite...

- Você quer que eu ponha um pouquinho de leite ou, talvez, um pouquinho de essência daquela que costumávamos tomar ?
- Não ! Puro mesmo,... só café puro !
- Mas,... você não  comeu nada ainda... e muito café não  faz muito  bem,... você vai acabar tendo uma gastrite... Que tal um lanchinho ?
- Não insista ! Não quero comer ! Se quiser me dar um café, que seja ! Não force porque não quero comer !

Assim era todo dia, ... através daquela fumaça deveriam ir descortinando coisas que nunca soube imaginar mas que sómente ela com o olhar fixamente hipnotizado desvendava com manifestações alternadas de sorrisos amarrados, olhos marejados, e silenciosamente murmúrios... "ai, meu Deus !".

O quê fazer ?

- Posso lhe servir um doce ?
- Não ! Não estou com fome...
- Gostaria de um suco...?
- ........

Apenas a fumaça de seu cigarro lhe trazia encantos, sei  lá quais, e a vida lá fora ia caminhando, como todos os dias...

Um dia, queira Deus e seja como fôr, tudo isso vai acabar e quem sabe se descortine uma nova alegria de viver bem longe das estranhas imagens da fumaça ! 


The rose acacia  -  Alexandre Desplat
-    o    -
Raul Neves Abreu
12 / 09 / 2012




terça-feira, 17 de julho de 2012

ACREDITE


Há tanta beleza ao nosso redor enfeitando nossas vidas, que impossível não perceber, não sentir, não acreditar...

As cores, os aromas, os lugares, os idiomas, os pensamentos, os sentimentos, ... As diferenças carentes de harmonia, fortalecendo umas em razão das outras...

A Felicidade está dentro de cada um !

O frescôr do vento tocando suavemente o rosto, mensageiro de boas novas,...

Água cristalina refletindo o Firmamento,

As flores,
O rosto,
O Sol,
A Lua,
A vida !
Olhares,
Sorrisos,
Palavras,
Pulsações,
Silêncio
....... !

Feliz é viver refletindo felicidade !

Acredite,... é hora de vencer ! E essa força,... vem de Deus !

quinta-feira, 5 de abril de 2012

UM ABRAÇO BEM GOSTOSO DOS "NEVES" !


Sou membro da Familia  NEVES e reunimo-nos na época da Páscoa, todos os anos, há mais de 50 anos, para  celebramos nossa amizade e comemorarmos juntos em grande alegria e harmonia essa data tão importante.

Comparecem parentes de muitas cidades diferentes de nosso Estado (São Paulo) e, inclusive, de outros Estados de nosso País (Brasil) . Algumas vezes, recebemos também alguns parentes que estão morando em outros países. Eles vêm sedentos de nosso encontro, de nosso sorriso e de nosso Abraço !

Por isso tudo descobri que temos uma Grande Tecnologia do ABRAÇO !. E,... como sou um simples "caipira do interior" quero contar para vocês, à minha pobre maneira de dizer, um segredinho muito importante para que tenham também muitas alegrias em todos os momentos em que estiverem reunidos com seus familiares próximos e/ou parentes distantes (do coração ou de outras cidades) ... e ainda os amigos ou mesmo os desconhecidos... uai !

Então,... vamos lá  ! (Não arrepari  os êrro das escritura...)

.......


É, ... ! De tudas as invenção dos homi, a que mais tem sintido é o ABRAÇO !

O Abraço num tem jeitu di um só apruveitá purque tudu que é gente, quando dá um abraço, sempre tem um jeitim de apruveitá uma beradinha... !

Quando ocê tá danado de sôdadi, o abraço de arguém ti alivia... Quando ocê tá com muita réiva,... vem um qui ti dá um abraço e ocê fica até sem graça de continuá com réiva !

Si ocê  tá  feliz e abraça arguém, esse arguém pega um pouquinho da sua alegria tumém...

Si arguém tá duenti, quando ocê abraça  ele,  ele começa a miorá i ocê mióra junto com ele tumém...

Sabe,... ? Muita gente importanti i letrada já tentô dá um jeito de sabê purquê qui é qui o abraço tem tanta tecnologia mais ninguém ainda discubriu purque ! Mais,... iêu Sei !  Foi um Isprito Bão di  Deus qui mi contô i iêu vou contá prucêis tudim qui foi qui ele mi falô:

"  U     ABRAÇO     É     BÃO     PUR     CAUSA     DU     CORAÇÃO   !  "

Quando ocê abraça arguém, fais massargi nu seu coração i o coração du ôtro é massargiado tumém... ! Mais num é só issu não:

" É qui quandu nóis abraça arguém, cum amô verdadero i com u coração,... NÓIS FICA É COM DOIS CORAÇÃO NU PEITO ! "...

Intonces,...

Um fórti abraço NEVES do meu coração pru cêis tumém !

FELIZ PÁSCOA !

Raul Neves Abreu
05 / 04 / 2012

domingo, 11 de março de 2012

EM CRIZE ESISTENSIAL !


Ando vivendo em crise !
“ Já nem sei dizer se sou feliz ou não, já nem sei pra quem eu dou meu coração, preciso ter alguém que possa compreender minha desilusão..." (música Custe o que custar  - de Roberto Carlos) .
Quando o homem dos anéis de “brucutus” nos dedos (Roberto Carlos – o cantor e compositor brasileiro) começou a cantar essa música, logo pensei:  “é um PANACA mesmo !”.  Como pode um marmanjo cheio de tudo que quer e pode, ficar murmurando por aí por causa de uma ou outra qualquer ? Ah.... ! Tá cheio de mulher por aí querendo... e o babaca só murmurando...
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Bem,... nem tanto assim ! Vejam minha história:
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Estava com aquela vontade de carícias e comecei a beijar o rosto dela, embaixo dos lençóis...
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- Benhê, ... estou com sono. Deixa pra outro dia... Você só pensa nisso...
- Mas,... Bem,... estou com tanta vontade de fazer amor com você...
- Ah,... mas já é tarde... E amanhã tenho muito o que fazer... Fica quietinho, tá ?
- Não, Bem... só um pouquinho, vai ?
- Você só pensa nisso ! Você é um pervertido,... só pensa nisso. Você precisa consultar um terapeuta.Tenho até medo de deixar você me beijar que “esse tróço” já fica logo ligado ! Sempre duro... ! Vamos dormir... !
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Viramos de lado, um de bunda pro outro... e mais uma noite sem fazer nada... !.
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Não é possível ! Acho que preciso mesmo consultar um Psiquiatra. Devo ser um tarado irremediável... Ai meu Deus ! Se os pais dela souberem que sou assim...
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Passaram-se alguns anos, o cansaço venceu ! Então, de vida nova, a “outra” virou-se, quase 3:00 hs da madrugada, dizendo:
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- Quero mais ! Ela vai ficar agradecida se “esse tróço” ressuscitar. Vamos ! Quero mais !
- Está bem, Bem ! Vamos lá... mas só mais uma vez que agora estou cansado e com muito sono ! Eita mulher insaciável... só pensa nisso !
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Dias depois, muitos dias depois, cansei da maluca e parti logo pra outra (uma nova outra). Que garota linda conheci, rosto angelical, corpo de sereia, capa da Playboy, sorriso hipnotizador e um cheiro de pecado que só ela e ninguém mais,... então pensei:
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- Se Deus inventou algo melhor que essa mulher,... não quero nem saber !  Pode ficar só pra Ele que essa mulher é tudo que eu queria na vida ! Que saúde ! Que vontade de viver,... de brincar,... de fazer amor,... de sorrir, de dançar, de cantar... Hummmmm.....!
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“Laranja madura, na beira da estrada, tá bichada Zé ou tem marimbondo no  pé !” (letra da música Laranja Madura na Beira da Estrada de Ataulfo Alves).
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Pois é ! Tudo que parece perfeito nem sempre perfeito é: O marimbondo não dava sossego ! Negócio é aposentar as chuteiras e começar a jogar cartas com direito a bolinho de fubá ou de chocolate com uma xícara de café...
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- Bati ! Com as 10 !
- Com as 10 ?
- Sim, com as 10 !
- Puxa,... você é bom de cartas mesmo, hein ? E aí,... vai dormir mais cedo em sua casa ou quer descansar aqui um pouquinho ?
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Outra maluca no pedaço querendo se aproveitar de minha santa inocência !
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- Não, princesa. Não posso ficar. Mamãe me espera e tenho que dar o remedinho pra ela antes das 11:00. E já está na hora de ir embora... !
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E lá fui eu, covardemente, correndo pra casa pra não enroscar mais o bico com essas doidivanas viciadas em “quero mais” principalmente no momento em que o meu “herói e glorioso mastro” da bandeira nacional estava desconsolado, em férias definitivas e sofredor das intempéries das descrenças humanas !
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Até que...
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- Oi,... você se incomoda que eu fume aqui ?
- Não !  Você pode fumar a vontade... afinal,... quem vai morrer disso é você mesma !
- Engraçadinho ! Ah,... você não é daqui ?
- Por quê ?
- Você não tem o sotaque....
- Ah ! É verdade ! Não sou, mas já fui daqui e agora voltei...
- Não entendi.
-  Explico:  certa ocasião eu fui morar na capital e depois de 36 anos voltei e agora estou aqui de volta já faz 2 anos...
-  Nossa,... e como não nos vimos antes ?
- Eu não costumo sair de casa. Fico sempre fazendo companhia pra minha mamãe...
- Sua mamãe ? Você não gosta de...
- Epa ! Nem termine a frase,... sou Hetero do SEXO MASCULINO e MACHO JURAMENTADO e só gosto muito de mulher... Mas ando deprimido, confuso, e em CRIZE ESISTENSIAL,... não repare o erro ortográfico e gramatical (do título) porque estou tão na merda ultimamente, que só escrevendo errado é que posso dar a dimensão da minha CRISE EXISTENCIAL (agora corretamente com ÉSSE e XIS)...!
- Ha, ha, ha,... Você é engraçado... Vamos dançar ?
- Vamos !
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Afi Maria,... a mulher dançava mais que uma princesa de conto de fadas...
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- Puxa vida, moça: você dança muito bem !
- É que eu sou bailarina, fiz ballet clássico e sou professora de dança...
- E eu estou enferrujado,... já estou sentindo dor nas pernas e falta de ar... ufa... você é um perigo,... sem falar no... e com todo o respeito,... lindo corpinho que você tem ! Hum... com todo respeito seu marido  ou namorado...
- Sou LIVRE !
- Ah, coitadinha...
- Mas tive relacionamento até alguns meses atrás....
- Ah ! Também pudera... Um mulherão desses não poderia ficar sem alguém...
- Nem tanto... Você não quer se sentar conosco ? São minhas amigas e também gostam de dançar...
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Quase meia-noite, após  um longo papo e eu já “afinei” mais uma vez...
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-  Muito bem, senhoras... infelizmente tenho que ir embora. Tenho mamãe em casa que me espera pra tomar um remedinho e, portanto, preciso deixa-las apesar de tanta alegria...
- Poderemos nos ver novamente na próxima semana...
- Ah,... tudo bem ! Volto aqui sim... Ciao !
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Será que vai ser igual outra vez ? Fico imaginando a cena conhecida: “Você só pensa nisso,... hoje não,... agora não,... Você é um PERVERTIDO !” Credo ! Vou é me confessar imediatamente e virar CELIBATÁRIO ! De mulher agora eu só quero é DISTÂNCIA ! Eu sou um SANTO !
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Mas,... lembrando "certo tempo atrás, "... senti uma dor aguda no coração. Bateu uma saudade enorme da minha doce cabaninha onde tantos momentos de total alegria consegui passar durante tanto tempo... Mas,... ficou tudo pra trás... até o marimbondo daquela Casa de Marimbondos que ficava no telhado próximo à entrada... Ainda volto lá, porque pelo menos ali vou sentir muito prazer, conforto, o doce aroma de flores silvestres, e sonhos coloridos de uma vida de muita paz !
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Vou cantar músicas do Wando,... coitado passou desta proutra melhor faz poucos dias... ! E ele dizia: 
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“ Moça, me espere amanhã. Levo o meu coração pronto pra te entregar.
Moça, moça eu te prometo, eu me viro do avesso, só pra te abraçar.
Moça, sei que já não és pura, teu passado é tão forte, pode até machucar.
Moça, dobre as mangas do tempo, jogue o teu sentimento todo em minhas mãos !
Eu quero me enrolar nos teus cabelos,
Abraçar teu corpo inteiro, morrer de amor, de amor me perder,...
Moça,... me espere amanhã ! “
-    o    -

... É, estou mesmo em CRIZE ESISTENCIAL !.
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Raul de Abreu
11/03/2012

domingo, 18 de dezembro de 2011

PAPAI NOEL CHEGOU !

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Estava fazendo uma tarde maravilhosa na véspera de Natal, nem parecia verão! Logo pela manhã quando o leiteiro bateu à porta, lá pelas 7 horas, o dia estava maravilhoso. O Sol prometia um dia de muita luz, um céu limpinho com algumas nuvenzinhas brancas formando carneirinhos.

O quintal estava florido e a grama molhada pelo sereno da madrugada. O vento estava fresquinho e as pessoas mais idosas, na rua, andavam com algum agasalho. Nem parecia verão!

- Manhê... Hoje é dia de Natal?
- É hoje sim. Hoje à noite vamos fazer uma bela ceia de Natal. Sua tia Jair e seus primos virão à nossa casa e vamos fazer uma grande festa. Vai ter bolo, doces, castanhas, aquele pudim que você adora, um pernil assado que já mandei na padaria da Dona Maria pra assar e sua tia vai trazer uma leitoa à pururuca.
- Vai ter champagne também?
- Vai ter champagne, vinho, aquele ponche delicioso com frutas, tâmaras, e muitas outras de Natal !.
- Será que eu vou ganhar o meu presente de Natal?
- O que você pediu?
- Eu pedi um revolvinho de espoleta de repetição igual ao do Roy Rogers.
- É possível que você ganhe sim. Vamos esperar pra ver!

O dia não passava de tanta ansiedade que todos sentiam. As crianças, pelos presentes que iriam ganhar, os adultos pelas festas que organizavam em suas casas.

Netinho parecia uma “barata tonta” andando da cozinha até o alpendre da casa e, às vezes, dando voltas no quarteirão para encontrar seus amigos e conversar sobre os pedidos que haviam feito ao Papai Noel.

Ele tinha nove anos de idade e naquele natal queria ganhar um revolvinho igual ao do cow-boy que aparecia em todas as matinês dos domingos. Ano anterior ele havia ganho uma bola de “capotão” que durou pouco tempo porque o couro não era de boa qualidade e estragou logo.

A noite chegou! Logo às sete horas todos de banho tomado e com suas roupas de natal.

- Manhê, que horas que a tia vem em casa?
- Espera um pouco Netinho. Ela vem já já. Não vai demorar. Mas a ceia só vai começar às dez da noite. Se você está com fome, pode comer umas frutinhas que seus primos logo logo estarão aqui.

Não tinha televisão na casa. A vitrola tocava musicas de Natal, todas orquestradas e com harpas paraguaias.

Tia Jair chegou com seus sete filhos. Era umas oito e meia da noite. Netinho não agüentava mais de ansiedade e sono.

Os primos, quase todos da mesma idade, foram logo para a rua encontrar com os amigos vizinhos e contar suas expectativas sobre os presentes, assim como trocar informações sobre os preparativos de comidas e bebidas em cada casa. E, é claro, contar "vantagens !".

- Na minha casa minha mãe vai fazer Ponche. É uma bebida francesa que tem muitas frutas e até champagne de verdade. Eu vou beber, minha mãe deixou.
- Na minha casa a minha mãe está fazendo leitoa.... (disse Pedrinho, o vizinho)
- Ah, na minha também vai ter leitoa e até vai ter Peru que minha tia trouxe (respondeu Netinho)

E assim, cada um contava o que ia acontecer em sua casa, procurando dizer que seria melhor que a do amigo. Nada era diferente, cada um queria contar mais vantagem.

Quando deu nove horas da noite, a mãe de Netinho veio até o alpendre da casa e gritou:

- Alô cambada! Vem logo macacada que a bóia já está na mesa ! Quem chegar por último vai ser a mulher do sapo!
Todos saíram correndo com aquele sorriso maravilhoso e olhos arregalados !


Na sala da casa havia um presépio, tradicionalmente montado desde os tempos que a mãe de Netinho era criança. Todo enfeitado com bolas coloridas, velinhas coloridas, ramos de cipreste que dava um cheirinho todo especial, miniaturas das pessoas, dos animaizinhos – lembrando o nascimento de Jesus.


As crianças paravam ali e ficavam admirando com muito respeito, ajoelhavam e faziam uma oração.
A festa iniciou às dez horas da noite. O pai de Netinho fez uma oração e em seguida abriu uma champagne. Todos aplaudiram, em grande alegria e iniciaram aquela farta comilança!
- Manhê... e os presentes?
- Espera um pouco, Netinho. Terminando a ceia vamos abrir os presentes.





















Netinho ganhou mesmo o revolvinho de espoleta de repetição, com cinturão, igual ao do Roy Rogers. Ganhou também um chapéu de cow-boy e um pacotinho de bombons. Seus primos ganharam outros presentes, como um caminhãozinho de bombeiro, um trenzinho a pilha, roupas, etc.

No dia seguinte todas as crianças estavam no campinho de futebol – um terreno na esquina da Rua Santo Antonio em frente ao Açougue dos Videira, onde costumeiramente faziam suas “peladinhas”. Primeiro de tudo começaram a exibir seus presentes e contar sobre tudo que comeram e beberam.

- Ontem eu tomei um ponche que minha mãe fez e até comi umas frutas que vieram lá da terra dos turcos – uma tal de tâmara que só dá no deserto.
- Ah, na minha casa também tinha dessa fruta, mas eu não gostei. Eu gostei mesmo foi de maçã que veio da Argentina.
- Ih, na minha casa teve até um presunto italiano...
- Na minha também teve champagne...
- Meu pai comprou uma latona de bolachas...

Ficaram algum tempo contando suas novidades e finalmente resolveram jogar a tradicional “peladinha” com a bola de capotão que Joãozinho havia ganho. Bola novinha, oficial, Gaeta, que nunca alguém tinha ganho ainda.


Formaram o time conforme as afinidades. Joãozinho era um menino bem gorducho, mais novo da turma e que não jogava bem. Ele era o dono da bola e, por isso, tinha que jogar.

Ninguém passava a bola para ele  que só ficava gritando:

- Aqui,... aqui... passa a bola pra mim senão eu levo a bola embora !

Meia hora depois, Joãozinho começou a chorar porque ninguém passava a bola pra ele. Então ele correu até a bola, pegou-a firme com as mãos, chorando de escorrer lágrimas e soluços e, sacudindo a pança, foi logo correndo pra casa reclamando:

- A bola é minha, ... a bola é minha, ... a bola é minha!

Ficaram todos paralisados observando  aquele menino atravessar a rua em direção a sua casa. Mas, ... com tantos presentes que ganharam, esqueceram imediatamente e foram logo pegá-los para suas brincadeiras.

E assim era... cada qual guardava seu brinquedo com muito cuidado !

Netinho colocou o cinturão do seu revólver, o chapéu de cow-boy, estufou o peito e bradou:

Aeieooooooo... Silver !. Vamos galopar, matar os bandidos e salvar a mocinha ! (havia uma garotinha que morava depois da ponte do riacho !)

Em cada Natal, desde aquele, bate uma emoção muito forte no peito e não é possível conter uma lágrima de saudade, de alegria, nostalgia.... sei lá... ! Ah, se se pudesse congelar o tempo e ser eternamente criança... !

Que as alegrias do Natal sejam permanentes nos corações de todos, permitindo que cultivem sempre com muito carinho essa linda criança que há dentro de cada um !

Manhêeeeeee .... !   Aieeoooooooo, Silver !”
-    o    -

Muitos anos já se passaram mas continuam todos na memória. Quanta saudade !
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Raul de Abreu
31/12/2009

ENGRAÇADO...



música: "The sounds of silence"  -  Simon & Garfunkel
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Tudo é Silêncio...

A cidade de São Paulo está vazia. Por incrível que pareça as ruas estão calmas e não há aquele trânsito maluco de veículos e pessoas; está até nostálgica como deveria ser nos “velhos tempos de garoa”.

Não há mais garoa em São Paulo desde os anos 70 e quando essa “mocinha” resolve aparecer novamente, torna-se matéria de primeira página nos jornais e assunto constante nos informativos de Rádio e TV.

Engraçado, ....

Uma senhorinha muito simpática e gentil, estava atravessando a rua fora da faixa de pedestres e sorria tão ingenuamente que, ao contrário do que fazem muitos motoristas, eu diminuí a velocidade do carro, esbocei um sorriso e fiz sinal para que ela continuasse a atravessar a rua... Olhou-me silenciosamente com um sorriso tão carinhoso que me fez emocionar. Sua filhinha, talvez de uns dois aninhos, cabelos iluminados e enfeitados com duas fitinhas acenou-me com a mãozinha e um largo sorriso.

Engraçado, ...

A simplicidade me encanta. Não havia naquela senhorinha nenhuma preocupação, não havia o medo, mas sim a segurança, embora atravessando uma avenida perigosa e fora da faixa de pedestres. Que confiança teria para atravessar naquele momento, colocando em risco sua vida e de sua tão pura e linda filhinha ?

Estou muito emocionado.

Levantei hoje pensando em minha vida, olhando em flash-back, buscando uma razão especial para tudo, buscando entender tantas coisas que nunca entendi e, embriagado com o momento de sonhos, de promessas, de esperanças, de ansiedades e tantas outras coisas que movem as pessoas num dia como esse, imaginando realizações do próximo ano que começa daqui a poucas horas...

Aquele singelo sorriso, ingênuo, inconseqüente, despreocupado, seguro...

Engraçado, ...

Tomei um suco de frutas bem geladinho pensando naquela mulher e naquela criança. Não consigo parar de pensar nisso e sentir meu coração feliz daquela cena que talvez tenha sido uma mensagem do Criador para que estivesse sempre atento para as belezas das coisas mais simples que estão sempre à nossa volta e visão e que nem sempre estamos preparados e sensibilizados para entender.

Recebi abraços, cumprimentos, presentes, sorrisos, durante as festividades do Natal, mas,... engraçado: aquele sorriso foi o melhor presente que eu poderia receber, pois senti-me responsável por sua continuidade e, desculpem-me a tão pobre comparação, foi como se eu estivesse abrindo a janela de meu quarto, nas primeiras horas da manhã, e um lindo raio-de-sol invadisse todo meu ambiente em um mágico momento de Divina Alegria!

As coisas mais simples me emocionam, têm mais brilho, mais sentido, são reais !

Talvez eu estivesse sonhando acordado,... mas poderia jurar que vi aquela senhora atravessando a avenida, ... que me sorriu gentilmente, acenou as mãos junto com sua filhinha e, quando chegou do outro lado, já na calçada, continuou sorrindo e acenando, enquanto desintegrando-se como uma nuvem, foi desaparecendo assim do nada, como se tivesse sido apenas uma miragem, ou uma mensageira, provocando-me uma intrigante interrogação, até incrédula, diante tão maravilhosa visão.

Engraçado, ... Não sei como explicar !

Só posso achar engraçado !. Bem, ... !

-    o    -

Raul de Abreu
18/12/2010

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

FOI SEM QUERER...

Dona Maria Augusta, uma senhora da alta sociedade foi, na noite anterior, a uma Vernissage de uma das comadres da sociedade local. Foi uma festa e tanto: champanhe, caviar, música, muita badalação... Ela tomou quase todas e voltou pra casa quase quatro horas da madrugada...
- Ai, meu Deus, eu tenho que dormir logo porque amanhã cedo eu marquei encontro com meu Personnal Training lá na praia... Hummm... aquele cara é de matar... que corpo ! Tenho que descansar pra agüentar o malho que ele vai me dar...

Tocou o despertador ... e ela começou a pensar alto:
- Bem, hoje eu levantei bem.. devia ser umas 7 horas da manhã, notei que durante a noite o meião tinha saído da minha perna esquerda... tudo bem, o meião era surrado e velho, mas por que abandonou minha pernoca ? Então levantei, espreguicei, olhei na janela: Sim, vai sair o sol hoje, pensei com meus botões, olhei no espelho e disse: pqp, esqueci de tirar a maquiagem novamente !
Aí vi que tinha um olho inchado, me pareceu que era um “viúvo”, então fui correndo tomar um bom banho, notei que tinham mudado meu sabonete ... pqp, a empregada sempre esquece qual é o meu sabonete preferido. mesmo assim, não fiz drama, me banhei ,fazia um frio do cacete.. saí do chuveiro, olhei o espelho e pensei: Não: sem um “fotoxópi” eu não me agüento ! Então, peguei a maquiagem e comecei a me reproduzir !
Que desastre: era produto importado que eu ainda não conhecia, escrito tudo em alemão e eu mal falo português... Devia estar escrito algo do tipo:  “ se estiver com a pele sensível, não use. Faça o teste na pele antes... se aparecerem manchas vermelhas, é porque você tem alergia ... !  etc., etc., etc.,. pqp, que mérda ! “
Ferrei-me toda: olho inchado do lado direito, nariz inchado, rosto inchado e pescoço parecendo bunda de porco: todo cheio de pururucas !
Ai meu Deus, que desastre ! Pensei: tenho que dar um jeito, oras, vou ter que ira à praia hoje de qualquer maneira...
Fiquei imaginando: pra desinchar essa merdança toda, vou ter que usar água boricada gelada. Usei,... não resolveu !
Bem, então um colírio ! Comprei o moura Brasil ! Passei,... não resolveu ! Usei o Lerin, o Fresh-tears, um Lágrimas de orvalho,... cacete,.. nada resolveu. Fiquei mais inchada ainda do que perereca mal lavada.
Ah, pepinos... Coloquei pepinos, mais de uma hora... nada ! Bife de contra-filé argentino, ... não resolveu,...  gelo,... também não resolveu ... !
Aiiii meu Deus, o que vou fazer ?
Desisti de tudo, deitei-me de novo na cama com uma toalha com cremes hidratantes no rosto ... e eu lá de pernas pro ar,... abertas,... sem meião, sem calcinha, de “vento a favor”
Bateram à porta e eu pensei: meu marido chegou. Entraaaaaaaaa !
Filho da mãe, tarado, nem respeitou o meu estado de choque com tudo inchado e já veio pra cima de mim... E não é que o filho da mãe estava bom ? Fazia tempo que meu marido não ficava assim tão excitado... e como ! Nunca vi meu marido tão bom de cama como aqueles minutos, mais minutos, horas... Que será que aconteceu? Será que a secretária andou assanhando ele... e ele tomou uns viagras ??? Aiiiiii   Fiquei com tudo inchado em baixo... inchado,... inchadíssima... MAS FOI BOM ! DELÍCIA !
Meia hora depois, marido entra de novo no quarto e me diz:
- Oi mulher, a essas horas do dia, quase uma da tarde e você ainda aí na cama ? E de pernas abertas com o vento a favor ?
- Ai maridão, hoje você me deixou doidinha... o que foi que te aconteceu ? Safadinho... Estou toda inchada... !
- Eu ? Do que você está falando ?
- Bem,... você sabe... Mas por que está estranhando ?
- Eu vim aqui só pra ver se aquele filho da puta do pedreiro veio arrumar o vazamento da pia do banheiro do seu quarto... Ele devia ter vindo aqui antes do meio dia... Você não viu ele por aqui ?
- Ah... o pedreiro ? Então era o pedreiro ????  Aiiiiiiiiiiiiii filho da puta,... não vi ele não !