quarta-feira, 19 de março de 2008

PESCANDO TRUTAS !


Dia desses fui convidado a pescar em uma fazenda, em um rio de águas cristalinas formado pelas águas que jorravam de uma cachoeira, belíssima, cuja nascente ficava no topo da montanha.

Água gelaaaaaadaaaaaaa !!!. Formava uma grande piscina no pé da montanha. A margem com areia branquinha, argilosa, parecia um Paraíso. Aquele lugar era lindo !.

Pensamos que poderíamos pegar algumas trutas ali, pois o lugar era praticamente virgem, a água em condições ideais para o peixe e também porque só os donos da fazenda e seus empregados podiam visitar. Tudo limpo !

Essa piscina era um grande poço e tinha na sua parte mais profunda, cerca de 3 metros. Havia uma vazante formando nova cachoeira e, dali, o rio corria por toda a extensão da fazenda.Chegamos à tardinha, ainda quente e resolvemos pescar ali mesmo naquele poço. O problema era escolher a isca ideal para pescar as trutas. Diziam uns que trutas gostam de frutas; outros já diziam que insetos seria melhor. Eu não entendia nada de pegar trutas até então.

De repente, o telefone tocou ! Enquanto eu já lançava a linha com uma isca especial para pescar trutas, o telefone escorregou de minhas mãos e caiu na água...Puxa ! um telefone especial com chip muito caro, comprado na Itália. Fiquei muito triste... pra não dizer P. da vida ! 

Meu amigo do lado teve uma idéia de puxar o anzol da minha vara e tentar fisgar o fone celular... Foi tentando... tentando... tentando... e, de repente, conseguiu fisgar e foi puxando... puxando... puxando... e eis que alguma coisa mordeu o fone e puxava forte para dentro do poço.

Puxava forte, bem forte... Pensei: " Será que pesquei uma truta? Quem nesse mundo vai acreditar que Trutas gostam de celulares ? " 

Todos espantados com o que acontecia ... e alguém gritou: 

- Aí tem truta ! ... Aí tem truta !

Então, meu amigo João foi logo dizendo:

- Esse bicho eu conheço ! Dá linha pra ela, ... vai dando linha que ela logo se cansa e você fisga essa danada! É como na vida real: “ você tem que dar corda pra pegar a safada ! ”.

Assim fiz, demorou mais duns 30 minutos. Que canseira! Fui puxando a linha,... puxando,... puxando... Pra espanto geral, quando levantei o peixe fora dágua, foi aquela gritaria: 

- É Piranha,... Piranha,... Piranha...

Como é que poderíamos imaginar que uma Piranha viesse de tão longe num lugar desses ? Que confusão essa Piranha fez com o telefone celular !

-    o    -

Raul de Abreu
19/03/2008

quinta-feira, 13 de março de 2008

O TELEFONE !


- Alô ?
- Alô !
- O Dirceu está ?
- Ele foi jogar bola...
- Você é a esposa dele?
- Sim !
- Ah, ah, ah ! A esposa... ! Quá, quá, quá !
- Quem está falando ?
- Aqui é um amigo dele. Você pode dar um recado a ele ?
- Quem está falando ?
- Eu sou um amigo dele, já disse! Você é uma tonta mesmo!
- Mas,... quem está falando?
- Quá, quá, quá... ! Tonta ! Você é mesmo uma tonta !

Mais uma vez insinuaram e desligaram !

Aquela ligação deixou Dona Branca assustada e muito irritada. Seria mesmo verdade que seu marido tinha ido jogar bola?

Vários telefonemas anônimos anteriores com aquela voz masculina fazendo insinuações e quando ela  ligava para o marido o celular tocava, mas ele não atendia.
.
Dona Branca resolveu fazer uma surpresa (flagrante) a seu marido e foi até ao Clube onde ele dizia que ia toda semana logo após o trabalho e lá ficava até umas 11 horas da noite “bebemorando” com os amigos.

Saiu apressada, tão nervosa que quase não conseguiu ligar seu carro. Chegou ao Clube, estacionou o carro e foi vagarosamente até a quadra de esportes. Havia um grupo jogando, mas ninguém era conhecido. Perguntou a uma pessoa que assistia se o marido dela tinha estado ali um pouco antes...

- Não sei, dona! Eu cheguei agora, mas tinha sim um grupo jogando aqui. A Senhora. já foi ver lá na lanchonete? Quem sabe estão lá tomando umas cervejinhas?

Dona Branca, desesperada, com o coração pulsando quase arrebentando de dor, foi rapidamente até a lanchonete. Em lá chegando, já avistou os amigos de seu marido reunidos comendo uns aperitivos e tomando cervejas.

- Manoel, ... oi Manoel,... Você viu meu marido? Ele não veio jogar hoje ?
- Oi, Branca. O Dirceu jogou sim, mas ele disse que estava com pressa pra chegar em casa e já foi embora!

Ela ficou desconfiada e saiu correndo pra casa na esperança de realmente encontrar Dirceu. Aquela ligação, que já havia acontecido várias vezes, parecia dizer que alguma coisa estava acontecendo de errado. Talvez ele tivesse uma amante... Mas que tipo de homem iria ligar pra ela pra fazer uma insinuação? Poderia ser uma mulher ligando... mas logo um homem ?

Chegou em casa, tudo apagado, os filhos fora de casa também... Pegou o telefone e ligou insistentemente a seu marido... Nada! Telefone desligado !  Ligou para sua mãe e contou o que estava acontecendo:

- Oi mãe, não sei mais o que faço. Dirceu não chegou em casa ainda e outra vez ligaram fazendo insinuações.
- Era uma mulher?

- Não, mãe! Era um homem. Só que a primeira vez era a voz de um homem mais velho e agora a voz de um rapaz bem mais moço. Parece até que são pai e filho. Mas a provocação é a mesma... perguntam se ele está em casa, insistem e depois começam a rir...

- E você não ligou para o Dirceu ?
- Liguei sim, mas o celular dele está desligado. Mais uma vez. Não é estranho isso? Aliás, o amigo dele lá do Clube não me convenceu dizendo que ele tinha ido jogar... Acho que estão escondendo alguma coisa. Sabe como são os homens, né? Tudo cúmplice de safadezas.
- Minha filha, você precisa conversar sério com seu marido...

De repente Dirceu chegou em casa ! Branca despediu-se de sua mãe e foi logo conversar com Dirceu.

- Onde você estava que eu já liguei um monte de vezes e seu celular estava desligado?
- Oi amor, eu saí do clube e fui comprar uma pizza pra nós. Comprei aquela que você mais gosta e também as que os meninos gostam...

- Conta essa história direito, homem !. Ligaram outra vez aqui em casa... O que está acontecendo?

- Como é que eu vou saber? Quem ligou?
- Não sei quem ligou. O número é restrito, não identificado; o bina não identificou.
- Só pode ser alguém que quer provocar...
- Olha amor, não liga pra isso. Só pode ser algum moleque querendo passar um trote.
- Será mesmo? Não será alguém que sabe que você está aprontando alguma?
- Como assim? Eu saio do trabalho e uma vez por semana vou jogar bola. Todos os outros dias estou em casa. O que você quer dizer com isso? Não confia em mim?
- Não sei não... Isto está parecendo muito estranho.
- Olha, eu vou provar pra você que não tenho nada a ver com isso.

Dirceu, muito irritado, foi com Dona Branca até a Delegacia de Policia fazer uma queixa.

- Há quanto tempo estão ligando em sua casa, Sr. Dirceu?
- Não sei direito, Dr. Delegado. Minha mulher que tem recebido ligações. Até no fone celular dela têm ligado.

- E como será que sabem os números de casa e também os celulares? Só pode ser alguém do relacionamento de vocês.

- Bem, eu não sei dizer... só se for....
- O Sr. acessa internet? Sua mulher também? Sabem, tem havido muitos casos graves, com ameaças, chantagens e até seqüestros porque as pessoas colocam seus nomes, seus endereços residenciais, profissionais e telefones à disposição de qualquer um que acesse internet, em sites de relacionamentos...
- O Sr. deve estar certo, Dr. Delegado. Nós fazemos parte de um site de relacionamentos e lá tem nossos endereços...
- Pois bem, Dona Branca. Sugiro que a Sra., seu marido e filhos, imediatamente apaguem as informações pessoais. De preferência, mudem os números dos telefones onde têm recebido tais ligações e não mais divulguem para estranhos. Outra coisa: observem bem as pessoas que estão ao redor, para ver se há alguém estranho... pode ser que estejam fazendo alguma armação contra vocês!.  Nas ligações que receberam, vocês foram ameaçados?
- Não Dr. Delegado. Eu só recebi ligações estranhas com insinuações, mas ninguém fez ameaça ainda.
- Então, Dona Branca, nesse caso não podemos fazer nada. O Juiz somente iria autorizar quebra de sigilo em caso de ameaças. Façam o que eu sugeri e troquem logo os números telefônicos e fiquem atentos. Caso aconteça alguma coisa nova, voltem aqui que vamos investigar. Já descobrimos vários casos e os culpados já respondem processos na Justiça com riscos muito sérios.

Dirceu e Dona Branca voltaram para casa em total silêncio. Ela magoada e desconfiada. Ele, inconformado pensando em quem poderia estar querendo prejudicar sua vida.

Seria um colega de trabalho com alguma inveja, alguma mágoa? Seria alguém interessado em sua esposa? Seria alguém querendo praticar alguma maldade ? Seria alguma mulher interessada nele?

Mas, como resgatar o relacionamento com sua esposa que a essa altura já pensava em separação? O que dizer aos filhos, aos parentes próximos já sabedores, aos amigos, ... ?

Trocaram os números telefônicos. Interromperam relacionamentos com os amigos. Combinaram contratar um Detetive como única forma de permanecerem ainda juntos.

- Srs. Dirceu e Dona Branca, nossa Agência de Detetives tem mais de 20 anos de experiência em casos como esse. Fiquem tranqüilos que muito breve já descobriremos os responsáveis por essas maldades e assim vocês poderão documentar para eventual processo judicial.

A cada rosto amigo, viam sempre um possível fantasma que vivia assustando-os e ameaçando-os. A vida não foi mais a mesma. Mudaram de residência e pensaram até em mudança de cidade, de estado, de país.
- Branca,... aqui é a Cida. Como vai ?
- Oi Cida... vamos indo...

- Você não imagina o que me aconteceu! Estão ligando em casa anonimamente, fazendo ameaças. Não sei mais o que faço. Estou desconfiada que o Antonio esteja tendo algum caso...

Branca não teve coragem de dizer o que lhe aconteceu, pois, a partir daqueles momentos ela e o marido nunca mais tiveram paz e perderam total confiança nos amigos.

- É Cida,... a vida prega cada peça na gente, né? Espero que vocês consigam solucionar esse problema...

Por quê será que pessoas gostam de entediar a vida alheia? Seria tão melhor fazerem uma ligação telefônica de paz e amizade ...

... "Olá! Bom dia! Como vão? Estamos com muita saudade de vocês e resolvemos ligar para desejar um lindo dia e enviar um abraço com muito carinho a voces. Nós vamos fazer um churrasco sábado aqui em casa e gostaríamos muito que todos vocês viessem para comemorarmos nossa amizade ! "

*** CARPE DIEM ***

-    o    -


Raul de Abreu
13/03/2008

domingo, 14 de janeiro de 2007

OS ANÉIS DO UMUARAMA


UMUARAMA HOTEL


Naquele dia, havia uma grande euforia na cidade motivada pela vinda do grande cantor de Rock – o Rei Roberto Carlos.

Os rapazes com cabelos compridos, calça Lee desbotada, anéis de brucutus nos dedos, sapatos mocassin "La Pisanina” e sem meia. As garotas com pulseiras, colares (todos de brucutus)!



Noite anterior uma corrida desenfreada do povo todo às ruas, em busca dos tais “brucutus” - que nada mais eram que uma pequena e simples peça metálica cromada do esguicho de água dos carros. Raro era encontrar ainda um carro que já não tivesse sido “surrupiado”. Era o fetiche do momento!.

Roberto Carlos com seus dedos cheios de Brucutus... e os donos dos veículos loucos de raiva!

Consegui pegar uns 2 ou 3 brucutus. Uma semana depois a moda perdeu a graça e joguei tudo fora.

Saí do colégio por volta de meio-dia e, como de costume, fui rápido para a Praça XV onde as mocinhas do Colégio Auxiliadora iriam desfilar por alguns minutos antes do almoço. Lá em frente das Lojas Americanas ficávamos até a 1 hora da tarde paquerando aquelas lindas garotas, todas uniformizadas daquele tradicional colégio das Freiras.



Na Praça XV (observe que estou falando da cidade de Ribeirão Preto e do ano de 1965) estava o majestoso e imponente Theatro Pedro II, além das Choperias "Pinguim" e "Lanches Paulista".



Encontrei minha turma de sempre: Wilson, Reginaldo Anjinho, Marquinhos filho do Seu Álvaro o Benetti, irmão daquela linda Márcia, o Nakarato e o Leopoldo .

O Wilson era gordinho e, apesar dos 15 ou 16 anos de idade, tinha um “projeto de bigode” que adorava exibir (acho que passava titica de galinha pra crescer mais rápido). Trabalhava com o pai dele numa loja de pneus. Não sei onde anda.

O Reginaldo não era muito de falar mas estava sempre sorrindo atrás de um par de óculos fundo de garrafa. Ia fazer Medicina. Hoje é médico, seu apelido era Anjinho.

O Marquinhos era o "crânio CDF" da turma, apesar de muito bagunceiro e namorador. Queria ser Engenheiro. Fez Engenharia em Campinas e por lá ficou, mas foi vitima fatal em um acidente automobilístico em meados dos anos 70.

O Benetti – grande Benetti, além de um ótimo goleiro, tinha uma irmã lindíssima - a Márcia , por quem eu era gamadão. Ele também ia fazer Medicina. Não sei o que aconteceu com ele.

O Nakaratto, brincalhão, super bem humorado, era filho de um açougueiro famoso na cidade. Queria ser Engenheiro e formou-se Engenheiro. Encontrei-o recentemente após 37 anos. Continua do mesmo jeito, sempre sorrindo.

O Leopoldo, sempre agitando a galera... e um dia foi um dos 70 exilados do período militar. Ele queria ser político. É vereador na cidade há pelo menos uns 6 mandatos. Não mudou nada.`É o único da turma que vejo vez em quando e ainda somos amigos.

Sou o bonitão agachado de camisa xadrez, os outros estão por aí

Ah,... você deve estar se perguntando sobre o título dessa história que na verdade não tem muita coisa a ver: Os Anéis do Umuarama. Mas trata-se de um período maravilhoso quando os amigos encontravam-se para brindar apenas a grande alegria de viver e de serem amigos !

Umuarama é uma palavra indígena em tupi-guarani, que quer dizer “ Lugar ensolarado, alto, de bom clima, para encontro de amigos” ou simplesmente “Reunião de Amigos”!.

Havia na mesma quadra das Lojas Americanas, na rua anterior, um Hotel de nome UMUARAMA, que eu jurava que era umas duas vezes maior que o edifício do Banco do Estado de São Paulo - na capital . Era o Hotel de Luxo de Ribeirão Preto e, se comparado aos atuais, poderia ser classificado como Hotel 5 Estrelas. Seu formato lembrava o Building Empire State de New York, embora apenas de 12 andares de apartamentos e mais 3 andares da torre onde situavam-se os anéis luminosos.


Os quartos eram muito grandes. Os serviços na época eram estilo Europeu Clássico e lá só se hospedavam artistas, ricos fazendeiros e ricos empresários.

No topo do edifício, havia 3 anéis luminosos coloridos que, acesos, de longe lembravam um Arco-Íris. Todas as pessoas da cidade sentiam prazer em admirar aquela coisa linda brilhando, já que na época os luminosos comerciais ainda eram novidade.

Marquinhos e Wilson, o Gordo, eram dois grandes “caras-de-pau”. Não podia passar uma garota que logo faziam gracejos e,... o engraçado disso tudo (enquanto eu morria de vergonha) é que elas gostavam dos gracejos e até paravam pra conversar.

Eu era novo na cidade. Fazia 1 ano que estava lá. Posso afirmar que, apesar de ser “estrangeiro” eu era bem requisitado pois, afinal, não era comum um garoto loiro de olhos azuis dando sopa naquele pedaço.

Justamente naquele dia que Roberto Carlos ia fazer um show no Ginásio da Cava do Bosque, ... passou naquela calçada a garota mais linda que eu poderia imaginar: loirinha, pele rosada, olhos verdes, saia azul abaixo do joelho (Colégio Auxiliadora), blusa branca e gravatinha azul marinho !

Ah... mamãe do céu! Que menina linda!


Carla

Até então meu coração não tinha ainda dado tantos pulos e eu ali gago sem saber o que dizer enquanto aquele “filho dum pai desconhecido” do Wilson, parecendo "Ave Maria", todo cheio de graça “dando” em cima dela:

- Oi Carlinha, esse aqui é o Abreuzinho, sobrinho do professor Abreu ...
- Oi Abreu, muito prazer... eu sou a Carla.
- O...o...o..oi Ca...ca...ca... Carla! Prazer é todo meu!

Ela foi embora com um sorriso todo meigo e tímido e eu fiquei sem saber o que falar, olhando ... olhando.... olhando!. Quando ela ia virar a esquina, parou e deu uma olhadinha pra trás. Wilson imediatamente botou fogo na história fazendo a maior gozação em cima de mim.

Naquela época, apenas um olhar de uma garota e o interesse de um coitado de um tímido como eu, eram suficientes pra uma semana ou mais de gozação no colégio. Wilson me disse que haveria uma festinha a tarde na casa da Graça, uma garota muito boazinha, educada e filha do prefeito.

Era minha amiga mas não tinha me convidado. A festa era de aniversário e seria a tarde porque a noite teria o show do “Homem dos Brucutus”e eu não via a hora pra ir naquele aniversário!.

Que agonia a espera!

Graça morava numa casa enorme na esquina da Praça XV, com um belo jardim e um grande alpendre (se você não sabe o que é alpendre, procure no dicionário ou pergunte para a sua avó).


Eu iria ver de novo aquela linda garota !

Cheguei na praça, no lugar combinado, às 3 e meia da tarde. Acho que fiz buraco na calçada de tanto que andei de lá pra cá de tanta ansiedade. A turma chegou um pouco tarde: devia ser umas 4 e meia da tarde, “uma eternidade de demora”!

Entramos na casa da Graça. Era minha primeira vez. Fui logo cumprimentando-a e também aos seus pais. Dei-lhe um abraço e um beijo (fraternal sem más intenções), como havia aprendido com meus pais. Meus amigos caíram todos na risada: não era o costume do pessoal de Ribeirão Preto. Eu era mesmo o caipira ali... fazer o quê, né? Por outro lado, o único de olhos azuis era eu e... mesmo de boca fechada, fazia o maior sucesso! Conversando então, achavam-me diferente, uma gracinha! (e eu ali com uma paixão daquelas pela Carla que ainda não tinha aparecido).

Quase 5 horas da tarde apareceu a Carla.

Que maravilha! Ela também devia estar muito ansiosa para me ver pois entrou na sala olhando pros lados, procurando algo e,.... quando me viu, deu um sorriso tão lindo que parecia que eu estava viajando por entre as nuvens em uma nave dos anjos!

A música suave tocando e não resisti à tentação de tirá-la para dançar! Alain Barriére cantando “ Ma Vie”, musica essa que só poderia ter sido colocada pela vontade do destino. Eu ali segurando o corpinho lindo da Carla, todo cheio de suavidade, sensualidade, inocência, ingenuidade.... Fomos nos aproximando aos poucos enquanto a sala na penumbra de uma “luz negra” reluzia nossas peças mais claras.



Eu e Carla dançando " Ma Vie "

Não consegui dizer uma palavra! Eu estava de rosto colado e vez em quando fitando aqueles olhos verdes tão lindos... nem percebemos a musica parar e continuamos ali abraçados, com a sala toda observando.... até que nossos lábios se encontraram e acordamos com uma saraivada de urros, aplausos, brincadeiras..... e o medo do que iria dizer o pai dela se soubesse! Wilson, filho da mãe, então gritou:

- Vou contar ! Vou contar !

Ela ficou assustada. Estávamos ainda de mãos dadas, sem respiração, olhando-nos, apaixonados...

Do mesmo jeito que ela entrou naquela sala, foi embora distanciando-se ...
Saí até o alpendre, sem perceber todo o barulho que faziam lá dentro e avistei ali na esquina o pai de Carla vindo buscá-la em seu carro, um Aero-Willys que nunca saiu de minhas lembranças.

O carro indo embora virando a esquina, umas 6 horas da tarde, já anoitecendo, os últimos raios do sol já se pondo, uma brisa vindo das árvores da Praça XV e o Hotel Umurama lá no alto acendendo suas luzes – “Os Anéis do Umuarama”!.

Olhei à direita, lá no fundo, bem longe, onde fica a Faculdade de Medicina e avistei aquela bola enorme de fogo do Majestoso sol, escondendo-se vagarosamente por trás das montanhas, como que me cumprimentando por aquela jornada !


O Pôr do Sol de Ribeirão

Logo ali na minha frente os Anéis do Umuarama brilhando tão intensamente, como se fossem uma nave do céu convidando-me a um passeio pelo Paraíso!.
Foram apenas alguns minutos que pude desfrutar de tamanha felicidade na companhia daquela princesa, mas foram intensos e serão eternos. Jamais deixaram e deixarão de habitar meu coração!
Mudei-me meses depois para São Paulo e não sei o que aconteceu com Carla ... !
Cada vez que vejo luminosos brilharem pelas cidades, vem aquela brisa gostosa sussurrar aos meus ouvidos:

... Os Anéis do Umuarama ...  !

-    o    -

Raul de Abreu
jan - 2007