Gostaria muito de lhe dizer tanta coisa, mas não sei como começar. Hoje a tarde está tão estranha,... Nem parece que há vento no ar: tudo está parado!
Ontem à noite, nós estávamos lá naquela festa e você estava tão radiante,... Eu nunca vi alguém tão linda como você !. Seus cabelos compridos tão sedosos, seu olhar tão meigo e feliz, o seu sorriso...
Acho que me apaixonei por você.
Dançamos aquela música tão linda: “THREE COINS IN THE FOUNTAIN” que eu queria que nunca terminasse. Estava ali tão pertinho de você sentindo o seu perfume tão suave, a sua respiração, o seu coração pulsando e apaixonando o meu..
Eu não consegui dizer tudo que tinha preparado pra lhe dizer... Não é fácil dizer assim, pois sinto uma coisa aqui no peito que me aperta quando vejo você passar, quando você me cumprimenta, quando sorri, quando ouço sua voz... Não é fácil assim dizer!
Aprendi esses dias na aula de francês, e só posso dizer em francês, pois eu acho muito bonito e você só vai aprender no ano que vem... Assim, eu acho que vou esperar todo esse tempo até você saber o que eu disse:
... “ je t´aime mon amour !”
Quando você aprender, talvez então possa me dizer… Mas eu gostaria tanto de saber agora… !
Estou escrevendo esta carta aqui no Coreto da nossa praça, onde a gente vem sempre com todos os amigos pra conversar um pouquinho, falar dos filmes, dos artistas, das músicas, das nossas vidas.
Esse lugar aqui é tão lindo ! É um Coreto dos Sonhos, todo cheio de encantos, de poesia, o jardim parece o Éden ! ... E eu vivo sonhando com você !.
Ah,... estou sozinho aqui !. Hoje é 2a. feira, Setembro, na Primavera de 1965. O jardim está lindo... Estou sozinho em meus pensamentos voltados para aquela música que me faz sonhar com você... E tentando dizer o que vai no meu coração!.
Acho até que estou ouvindo uma orquestra filarmônica de mil cordas tocando tão maravilhosamente, inspirando-me a procurar essa fonte cristalina onde eu possa deixar minhas moedas na esperança de ter você para sempre pra mim !.
Estava fazendo uma tarde maravilhosa na véspera de Natal, nem parecia verão! Logo pela manhã quando o leiteiro bateu à porta, lá pelas 7 horas, o dia estava maravilhoso. O Sol prometia um dia de muita luz, um céu limpinho com algumas nuvenzinhas brancas formando carneirinhos.
O quintal estava florido e a grama molhada pelo sereno da madrugada. O vento estava fresquinho e as pessoas mais idosas, na rua, andavam com algum agasalho. Nem parecia verão!
- Manhê... Hoje é dia de Natal?
- É hoje sim. Hoje à noite vamos fazer uma bela ceia de Natal. Sua tia Jair e seus primos virão à nossa casa e vamos fazer uma grande festa. Vai ter bolo, doces, castanhas, aquele pudim que você adora, um pernil assado que já mandei na padaria da Dona Maria pra assar e sua tia vai trazer uma leitoa à pururuca.
- Vai ter champagne também?
- Vai ter champagne, vinho, aquele ponche com frutas delicioso, tâmaras, e muitas frutas de Natal.
- Será que eu vou ganhar o meu presente de Natal?
- O que você pediu?
- Eu pedi um revolvinho de espoleta de repetição igual ao do Roy Rogers.
- É possível que você ganhe sim. Vamos esperar pra ver!
O dia não passava de tanta ansiedade que todos sentiam. As crianças pelos presentes que iriam ganhar, os adultos pelas festas que organizavam em suas casas.
Netinho parecia uma “barata tonta” andando da cozinha até o alpendre da casa e, às vezes, dando voltas no quarteirão para encontrar seus amigos e conversar sobre os pedidos que haviam feito ao Papai Noel.
Ele tinha nove anos de idade e naquele natal queria ganhar um revolvinho igual ao do cow-boy que aparecia em todas as matinês dos domingos. Ano anterior ele havia ganho uma bola de “capotão” que durou pouco tempo porque o couro não era de boa qualidade e estragou logo.
A noite chegou! Logo às sete horas todos de banho tomado e com suas roupas de natal.
- Manhê, que horas que a tia vem em casa?
- Espera um pouco Netinho. Ela vem já já. Não vai demorar. Mas a ceia só vai começar às dez da noite. Se você está com fome, pode comer umas frutinhas que seus primos logo logo estarão aqui.
Não tinha televisão na casa. A vitrola tocava musicas de Natal, todas orquestradas e com harpas paraguaias.
Tia Jair chegou com seus sete filhos. Era umas oito e meia da noite. Netinho não agüentava mais de ansiedade e sono.
Os primos, quase todos da mesma idade, foram logo para a rua encontrarem-se com os amigos vizinhos para contar suas expectativas sobre os presentes, assim como trocar informações sobre os preparativos de comidas e bebidas em cada casa.
- Na minha casa minha mãe vai fazer Ponche. É uma bebida francesa que tem muitas frutas e até champagne de verdade. Eu vou beber, minha mãe deixou.
- Na minha casa a minha mãe está fazendo leitoa.... (disse Pedrinho, o vizinho)
- Ah, na minha também vai ter leitoa e até vai ter Peru que minha tia trouxe (respondeu Netinho)
E assim, cada um contava o que ia acontecer em sua casa, procurando dizer que seria melhor que a do amigo. Nada era diferente, cada um queria contar mais vantagem.
Quando deu nove horas da noite, a mãe de Netinho veio até o alpendre da casa e gritou:
- Alô cambada! Vem logo macacada que a bóia já está na mesa ! Quem chegar por último vai ser a mulher do sapo!
Todos saíram correndo com aquele sorriso maravilhoso e olhos arregalados !
Na sala da casa havia um presépio, tradicionalmente montado desde os tempos que a mãe de Netinho era criança. Todo enfeitado com bolas coloridas, velinhas coloridas, ramos de cipreste que dava um cheirinho todo especial, miniaturas das pessoas, dos animaizinhos – lembrando o nascimento de Jesus.
As crianças paravam ali e ficavam admirando com muito respeito, ajoelhavam-se e faziam uma oração.
A festa iniciou às dez horas da noite. O pai de Netinho fez uma oração e em seguida abriu uma champagne. Todos aplaudiram, em grande alegria e iniciaram aquela farta comilança!
- Manhê... e os presentes?
- Espera um pouco, Netinho. Terminando a ceia vamos abrir os presentes.
Netinho ganhou mesmo o revolvinho de espoleta de repetição, com cinturão, igual ao do Roy Rogers. Ganhou também um chapéu de cow-boy e um pacotinho de bombons. Seus primos ganharam outros presentes, como um caminhãozinho de bombeiro, um trenzinho a pilha, roupas, etc.
No dia seguinte todas as crianças estavam no campinho de futebol – um terreno na esquina, onde costumeiramente faziam suas “peladinhas”. Primeiro de tudo começaram a exibir seus presentes e contar sobre tudo que comeram e beberam.
- Ontem eu tomei um ponche que minha mãe fez e até comi umas frutas que vieram lá da terra dos turcos – uma tal de tâmara que só dá no deserto.
- Ah, na minha casa também tinha dessa fruta, mas eu não gostei. Eu gostei mesmo foi de maçã que veio da Argentina.
- Ih, na minha casa teve até um presunto italiano...
- Na minha também teve champagne...
- Meu pai comprou uma latona de bolachas...
Ficaram algum tempo contando suas novidades e finalmente resolveram jogar a tradicional “peladinha” com a bola de capotão que Mafaldinho havia ganho. Bola novinha, oficial, Gaeta, que nunca alguém tinha ganho ainda.
Formaram o time conforme as afinidades. Mafaldinho era um menino bem gorducho, mais novo da turma e que não jogava bem. Ele era o dono da bola e, por isso, tinha que jogar.
Ninguém passava a bola para o Mafaldinho que só gritava:
- Aqui,... aqui... passa a bola pra mim senão eu levo a bola embora !
Meia hora depois, Mafaldinho começou a chorar porque ninguém passava a bola pra ele. Então ele correu até a bola, pegou-a firme com as mãos, chorando de escorrer lágrimas e soluços e, sacudindo a pança, foi logo correndo pra casa reclamando:
- A bola é minha, ... a bola é minha, ... a bola é minha!
Ficaram todos paralisados observando Mafaldinho atravessar a rua em direção a sua casa. Mas, ... com tantos presentes que ganharam, esqueceram imediatamente e foram logo pegá-los para suas brincadeiras.
E assim era... cada qual guardava seu brinquedo com muito cuidado !
Netinho colocou o cinturão do seu revólver, o chapéu de cow-boy, estufou o peito e bradou:
Aeieooooooo... Silver ! vamos galopar, matar os bandidos e salvar a mocinha !
Em cada Natal, desde aquele, bate uma emoção muito forte no peito e não é possível conter uma lágrima de saudade, de alegria, nostalgia.... sei lá... ! Ah, se se pudesse congelar o tempo e ser eternamente criança... !
Que as alegrias do Natal sejam permanentes nos corações de todos, permitindo que cultivem sempre com muito carinho essa linda criança que há dentro de cada um !
Durante aqueles tempos, poucas coisas assustavam as pessoas nas cidades: Lendas do Saci-Pererê, da mula sem cabeça, fantasmas à meia- noite no cemitério, a ventania em noite de lua cheia, chuvas durante a madrugada, ou no máximo, as loucuras de um embriagado que mais falava insanidades do que ameaças às pessoas.
Ah ! Também havia Maria Louca. Ela era uma pessoa que ninguém sabia a idade, se nova ou velha, apesar de aparência muito desgastada. Vivia perambulando pela cidade falando sem parar, sozinha e pra si mesma, gesticulando como se estivesse discutindo alguma coisa com alguém... Todos temiam que ela fosse alguma coisa mais que apenas uma mulher louca.
Mas, o que mais assustava mesmo era Tiquinho. Ele era apenas um garoto simples, muito humilde, calado, de olhar sereno e talvez órfão porque ninguém ainda havia conhecido seus pais.
Era muito estranho e ninguém sabia dizer porquê. Sentia-se um calafrio quando se chegava perto dele...
Não conversava com as pessoas e todos tinham receio de perguntarem alguma coisa a ele, que apenas olhava as pessoas, permanecia calado, porém com um olhar bem sereno, cativo...
Tinha belos olhos azuis, esboçava um sorriso tímido, um perfil delicado e parecia ser muito bondoso. Mas, mesmo assim, todos tinham certo medo...
Poucas vezes era visto pela cidade. Geralmente viam-no na Praça da Igreja observando as copas das árvores e, imediatamente, os pássaros voavam ao seu encontro e pousavam em seus braços, nos ombros, sobre sua cabeça...
Ele apenas sorria e acariciava aquelas criaturas. De repente, com um simples olhar, como se fosse uma ordem, as aves voavam de volta aos lugares de onde tinham saído.
Contam que ele conversava, por pensamento, com todos os animais. Há quem diga que falava com roedores, cachorros, gatos... tudo que existia !
Um dia contaram que viram Tiquinho caminhando pela mata e que lindas borboletas azuis acompanhavam-no enquanto ele seguia por uma pequena trilha... Não só as borboletas, mas também coelhos, esquilos, pássaros, lagartos e até cobras iam com ele por onde ele passava...
Tudo em silêncio, tudo muito estranho, mas tudo em perfeita harmonia !
Ele foi caminhando,... caminhando,... afastou delicadamente algumas folhagens que atravessavam seu caminho, as quais voltaram em seguida aos seus lugares... Não se sabe como e nem porque, logo em seguida ele com todos aqueles animais nunca mais foi visto !
Nem na cidade alguém o viu alguma outra vez !
Isso aconteceu há mais de quarenta anos atrás...
Recentemente eu estava em uma praça da cidade. Muitas árvores, e no meio da praça a temperatura estava fresquinha, embora um dia de calor causticante. Havia também uma fonte protegida por grades metálicas... e na pequena mureta de alvenaria estava sentado um homem de estatura mediana, magro, cabelos castanhos brilhantes, sedosos e com alguns tons grisalhos...
Ele acariciava os pássaros que vinham pousar em seu corpo. De repente, ele voltou seu rosto para mim e deu um sorriso que me fez sentir um calafrio estranho... Ele continuou me olhando e sorrindo... Tinha belos olhos azuis, um olhar carinhoso, um rosto já marcado pelo tempo, mas um ar sereno de quem só transmitia a paz !
Pensei naquele instante:
- Será o Tiquinho ?
Ele levantou-se vagarosamente e foi caminhando fora da praça olhando-me com aquele olhar estranho, mas muito bondoso... e as aves seguiam-no felizes !
Voltei mais vezes àquela praça em vários horários, ... Fui a outras praças, rodei toda cidade a sua procura e não sei onde é que ele foi parar...
Isso aconteceu somente há apenas duas semanas atrás !
Estranho... ! Quem será aquele homem ? Por onde andará o Tiquinho ?
A cidade de São Paulo está vazia. Por incrível que pareça as ruas estão calmas e não há aquele trânsito maluco de veículos e pessoas; está até nostálgica como deveria ser nos “velhos tempos de garoa”.
Não há mais garoa em São Paulo desde os anos 70 e quando essa “mocinha” resolve aparecer novamente, torna-se matéria de primeira página nos jornais e assunto constante nos informativos de Rádio e TV.
Engraçado, ....
Uma senhorinha muito simpática e gentil, estava atravessando a rua fora da faixa de pedestres e sorria tão ingenuamente que, ao contrário do que fazem muitos motoristas, eu diminuí a velocidade do carro, esbocei um sorriso e fiz sinal para que ela continuasse a atravessar a rua... Olhou-me silenciosamente com um sorriso tão carinhoso que me fez emocionar. Sua filhinha, talvez de uns dois aninhos, cabelos iluminados e enfeitados com duas fitinhas acenou-me com a mãozinha e um largo sorriso.
Engraçado, ...
A simplicidade me encanta. Não havia naquela senhorinha nenhuma preocupação, não havia o medo, mas sim a segurança, embora atravessando uma avenida perigosa e fora da faixa de pedestres. Que confiança teria para atravessar naquele momento, colocando em risco sua vida e de sua tão pura e linda filhinha ?
Estou muito emocionado.
Levantei hoje pensando em minha vida, olhando em flash-back, buscando uma razão especial para tudo, buscando entender tantas coisas que nunca entendi e, embriagado com o momento de sonhos, de promessas, de esperanças, de ansiedades e tantas outras coisas que movem as pessoas num dia como esse, imaginando realizações do próximo ano que começa daqui a poucas horas...
Tomei um suco de frutas bem geladinho pensando naquela mulher e naquela criança. Não consigo parar de pensar nisso e sentir meu coração feliz daquela cena que talvez tenha sido uma mensagem do Criador para que estivesse sempre atento para as belezas das coisas mais simples que estão sempre à nossa volta e visão e que nem sempre estamos preparados e sensibilizados para entender.
Recebi abraços, cumprimentos, presentes, sorrisos, durante as festividades do Natal, mas,... engraçado: aquele sorriso foi o melhor presente que eu poderia receber, pois senti-me responsável por sua continuidade e, desculpem-me a tão pobre comparação, foi como se eu estivesse abrindo a janela de meu quarto, nas primeiras horas da manhã, e um lindo raio-de-sol invadisse todo meu ambiente em um mágico momento de Divina Alegria!
As coisas mais simples me emocionam, têm mais brilho, mais sentido, são reais !
Talvez eu estivesse sonhando acordado,... mas poderia jurar que vi aquela senhora atravessando a avenida, ... que me sorriu gentilmente, acenou as mãos junto com sua filhinha e, quando chegou do outro lado, já na calçada, continuou sorrindo e acenando, enquanto desintegrando-se como uma nuvem, foi desaparecendo assim do nada, como se tivesse sido apenas uma miragem, ou uma mensageira, provocando-me uma intrigante interrogação, até incrédula, diante tão maravilhosa visão.
Dona Maria Augusta, uma senhora da alta sociedade foi, na noite anterior, a uma Vernissage de uma das comadres da sociedade local. Foi uma festa e tanto: champanhe, caviar, música, muita badalação... Ela tomou quase todas e voltou pra casa quase quatro horas da madrugada...
- Ai, meu Deus, eu tenho que dormir logo porque amanhã cedo eu marquei encontro com meu Personnal Training lá na praia... Hummm... aquele cara é de matar... que corpo ! Tenho que descansar pra agüentar o malho que ele vai me dar...
Tocou o despertador ... e ela começou a pensar alto:
- Bem, hoje eu levantei bem.. devia ser umas 7 horas da manhã, notei que durante a noite o meião tinha saído da minha perna esquerda... tudo bem, o meião era surrado e velho, mas por que abandonou minha pernoca ? Então levantei, espreguicei, olhei na janela: Sim, vai sair o sol hoje, pensei com meus botões, olhei no espelho e disse: pqp, esqueci de tirar a maquiagem novamente !
Aí vi que tinha um olho inchado, me pareceu que era um “viúvo”, então fui correndo tomar um bom banho, notei que tinham mudado meu sabonete ... pqp, a empregada sempre esquece qual é o meu sabonete preferido. mesmo assim, não fiz drama, me banhei ,fazia um frio do cacete.. saí do chuveiro, olhei o espelho e pensei: Não: sem um “fotoxópi” eu não me agüento ! Então, peguei a maquiagem e comecei a me reproduzir !
Que desastre: era produto importado que eu ainda não conhecia, escrito tudo em alemão e eu mal falo português... Devia estar escrito algo do tipo:“ se estiver com a pele sensível, não use. Faça o teste na pele antes... se aparecerem manchas vermelhas, é porque você tem alergia ... !etc., etc., etc.,. pqp, que mérda ! “
Ferrei-me toda: olho inchado do lado direito, nariz inchado, rosto inchado e pescoço parecendo bunda de porco: todo cheio de pururucas !
Ai meu Deus, que desastre ! Pensei: tenho que dar um jeito, oras, vou ter que ira à praia hoje de qualquer maneira...
Fiquei imaginando: pra desinchar essa merdança toda, vou ter que usar água boricada gelada. Usei,... não resolveu !
Bem, então um colírio ! Comprei o moura Brasil ! Passei,... não resolveu ! Usei o Lerin, o Fresh-tears, um Lágrimas de orvalho,... cacete,.. nada resolveu. Fiquei mais inchada ainda do que perereca mal lavada.
Ah, pepinos... Coloquei pepinos, mais de uma hora... nada ! Bife de contra-filé argentino, ... não resolveu,...gelo,... também não resolveu ... !
Aiiii meu Deus, o que vou fazer ?
Desisti de tudo, deitei-me de novo na cama com uma toalha com cremes hidratantes no rosto ... e eu lá de pernas pro ar,... abertas,... sem meião, sem calcinha, de “vento a favor”
Bateram à porta e eu pensei: meu marido chegou. Entraaaaaaaaa !
Filho da mãe, tarado, nem respeitou o meu estado de choque com tudo inchado e já veio pra cima de mim... E não é que o filho da mãe estava bom ? Fazia tempo que meu marido não ficava assim tão excitado... e como ! Nunca vi meu marido tão bom de cama como aqueles minutos, mais minutos, horas... Que será que aconteceu? Será que a secretária andou assanhando ele... e ele tomou uns viagras ??? AiiiiiiFiquei com tudo inchado em baixo... inchado,... inchadíssima... MAS FOI BOM ! DELÍCIA !
Meia hora depois, marido entra de novo no quarto e me diz:
- Oi mulher, a essas horas do dia, quase uma da tarde e você ainda aí na cama ? E de pernas abertas com o vento a favor ?
- Ai maridão, hoje você me deixou doidinha... o que foi que te aconteceu ? Safadinho... Estou toda inchada... !
- Eu ? Do que você está falando ?
- Bem,... você sabe... Mas por que está estranhando ?
- Eu vim aqui só pra ver se aquele filho da puta do pedreiro veio arrumar o vazamento da pia do banheiro do seu quarto... Ele devia ter vindo aqui antes do meio dia... Você não viu ele por aqui ?
- Ah... o pedreiro ? Então era o pedreiro ????Aiiiiiiiiiiiiii filho da puta,... não vi ele não !
Sonhei a noite toda com aqueles dias, quando adolescente, percorria as ruas despreocupado com tudo e ansioso apenas com o que eu iria ganhar de presente de Natal !
Acordei SAUDOSISTA !
- Ah,... se eu soubesse naqueles dias o que eu sei hoje ... !
Anos 60 !
Aquela garotinha que morava perto de casa passava toda sorridente vestindo um vestidinho todo branco, com bordados e um par de sapatos de saltos altos... Tinha apenas 11 ou 12 anos e já desfilava como se fosse mulher formada. Que presunçosa... !
Eu ficava ali, debruçado na mureta do alpendre de minha casa, olhando Suely passando toda apressada e, de esguio, observando se eu também a observava. Claro que eu a observava pois, afinal, ela era a garotinha que seria a minha namorada um dia... além de minha costumeira e preferida parceira de dança.
O relógio batia umas 11 horas da manhã e na cozinha já faziam os doces, os salgados e aquela deliciosa leitoa assada que iríamos comer na festa logo mais à noite. Também iria ter muitas outras coisas que nossos parentes iriam trazer... Até Peru ia ter, mesmo que não fosse a tradição ... mas o que eu mais queria mesmo era aquele delicioso Pavê que Dona Gilda, a doceira, fazia: Torta Paulista !
Até Champagne iríamos tomar. Eu tinha apenas 12 anos de idade mas meu pai nos deixava experimentar um pouco de champagne e um suco bem geladinho de vinho com água e açúcar.
Na sala, havia dois jogos de sofás: um bem grande de cor amarelada e outro de veludo vermelho. Eu adorava dormir naquele sofá vermelho enquanto assistia algum programa de televisão. A vitrola, um lindo móvel, Phillips, tocava o dia todo um LP (long play) com músicas de fim-de-ano com Harpa Paraguaya... Aquilo era de encher a paciência de qualquer jovem da época iniciante na das coisas do amor.
Ah,... o amor !
Eu nem sabia o que era isso, mas sentia uma "coisa incrível" cada vez que aquela menininha "toda convencida" passava pela calçada. Não posso revelar que ficava excitado,... mas ela me deixava todo interessado em dar um beijinho algum dia ! Demorou um tempo, muito tempo depois daquele Natal,... mas beijei com muito carinho o meu primeiro beijo. Nunca vou esquecer... e justamente hoje, tantos anos depois, sonhei a noite toda com o Natal e com as músicas natalinas.
Eu cantava sem saber a letra o tal do "Dingo Bel" e até ensaiava por mímica, o dedilhar de uma harpa paraguaya. Mas, como todo "moleque" que se preze eu começava a cantar a música e meus amigos presentes, em côro, acompanhavam o tal do "Dingo":
Dingobel, dingobel,... acabou o papel...
Não faz mal, não faz mal,...
Limpa com o jornal !
O Papel está caro, caro pra chuchu,...
Como eu vou fazer,...
Pra limpar o meu,...
Dingobel,... dingobel,... acabou o papel !
.
Não sei dizer se naquela época o disco do Dingobel (LP) era tocado por Luis Bordón embora Ray Conniff também já existisse e fosse o predileto da garotada. Meus pais e seus amigos (todos velhos de mais de 30 anos de idade) é que gostavam de músicas paraguayas... Algum tempo depois, quando eu já sabia o idioma Inglês é que atentei para o nome correto da música: JINGLE BELLS .
"Jingle Bells", também conhecida como "One horse open Sleigh", é uma das mais comuns e conhecidas canções natalinas do mundo. Foi escrita por James Lord Pierpont (1822-1893) e publicada como "One Horse Open Sleigh" em 16 de Setembro de 1857, sendo que, originalmente, não se tratava de uma canção natalina. Foi traduzida para quase todos os idiomas e, no Brasil, recebeu a versão em português por Evaldo Rui, sendo que João Dias a gravou em disco de 78 rpm pela ODEON em 4 de Outubro de 1951 para o suplemento de dezembro (natalino) daquele ano. (Fonte Google). .
Acordei com muita saudade daqueles dias e fui procurar na estante que era de meus pais (já falecidos), as fotos e objetos que conheci quando criança. Achei cartas de parentes, muitas fotos, canetas antigas, moedas antigas, cartões de natal e ano novo, cartões postais de outros países, livros,... alguns cadernos escolares,... um palito de sorvete com a inscrição gravada de minhas iniciais e de Suely...
Eu não me lembrava daquele palito de sorvete que tomamos na praça em uma linda tarde de sol... quando nos beijamos pela primeira vez ! Hummmm.... foi lindo !
Aquele beijo foi o melhor presente de Natal que já ganhei e, por incrível que pareça, o auto-falante do coreto da praça alardeava ao som de Jingle Bells a chegada de um Novo Natal !
Agora que já estou acordado, depois dessa deliciosa noite de sonhos, vou ficar o dia todo em casa só pra ouvir as músicas de Natal tocadas pelos melhores músicos de todo o mundo e desejar a todas as pessoas que tenham sempre, todos os dias, um LINDO SONHO DE NATAL !
Esta é uma Verdadeira História de Amor Fraternal ! Mamãe Clory... Missionária de Amor e Paz que semeou a Palavra e as Verdadeiras Ações em todos os cantos por onde passou. Hoje ela partiu para uma nova jornada junto ao "Pai" e deixou-nos com o seu grande exemplo de Dignidade, Solidariedade e Bem Querer a todos !
A partir de Janeiro de 1969 até Setembro de 2005, período em que morei em São Paulo e ABC Paulista, fui voluntário no Lar da Mamãe Clory e testemunhei muitas histórias de crianças e adultos que foram abrigados pela Mamãe Clory, tratados todos com muito amor e muita dedicação.
Vou narrar uma das muitas histórias de um garoto chamado ROBERTINHO que hoje deve estar com 47 anos de idade e foi deixado, pelo seu tio, com apenas 1 ano de idade na casa de Mamãe Clory, quando esta morava ainda em Andradina.
Leiam inicialmente o que contam sobre a Mamãe Clory nos links abaixo:
notícias sobre Mamãe Clory, veiculadas pela imprensa em 22/112011:
Meu nome é Raul de Abreu e moro em Ribeirão Preto - SP - Brasil. Nasci em Tambaú, interior de São Paulo e até fui "Assistente OPERACIONAL (coroinha)" do Padre Donizetti, motivo pelo qual e também porquê sempre fui, e sou, um homem generoso, caridoso e bondoso e, portanto, sou considerado um HOMEM SANTO, apesar que "alguns" acham que eu sou é um "santo homem do PAU ÔCO ". Meu pai era filho de Portugueses nascidos em BRAGA (Quinta dos Abreus) e minha mãe descendia de Europeus franceses,ingleses e também portugueses (ou eram ciganos, ou judeus ou beduinos, ou Vikings, ou sei lá o quê !). Gosto de "brincar" com as letras e as palavras e formar alguns textos variados. Espero que sejam de seu agrado e que possamos ser bons amigos. Agradeço sua visita, R.Abreu
rabreusp@hotmail.com ( A.'.G.'.D.'.G.'.A.'.D.'.U.'. - M.'.I.'. - 33º .'. )