sábado, 7 de novembro de 2015

BEM QUERER



INDIFERENÇA  -  ZEZÉ & LUCIANO DE CAMARGO
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Estava seguindo pela estrada, pensativo, esquisito, sem saber porque...!.
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Dirigindo distraído,  avistando logo à frente meu próprio passado que deslizava vagarosamente, como nuvens sorridentes que iam acenando alegres fazendo-me sorrir também com emoção bem sentida  e saudosa de tanto tempo.
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SILÊNCIO !. Apenas o ronco do motor e o suave sussurar do vento !.
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Balancei a cabeça e sintonizei o rádio em uma estação local. 
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Que interessante: nunca havia prestado atenção àquela música. Na verdade, sim, é claro que já havia ouvido várias vezes aquela bonita melodia, um som delicioso para relaxar... mas nunca havia "ouvido" a sua letra, quero dizer, claro que ouvi várias vezes e até poderia cantar automaticamente toda a sua letra, porém, nunca prestei atenção na mensagem chorosa do BEM QUERER !.
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BEM QUERER !.
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Lembrei de meu pai: Ele era um escritor !.
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Era correspondente de jornais, tanto do local quanto o da Capital. Escrevia as notícias, como jornalista, e também publicava crônicas e poesias. Meu pai não era apenas um escritor, ele era um Poeta !.
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Escreveu e publicou muita coisa. Tenho quase tudo guardado mas, como naquela música que estava ouvindo, embora tivesse lido várias vezes seus escritos, fosse onde fosse o meio veiculado, apenas li mas não me interessei em entender, assimilar suas mensagens !.
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Agora entendo o sentido da INDIFERENÇA e me envergonho enquanto ouço essa música:
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- ... é a sua indiferença que me mata,...que me mata,... que me mata... !"
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Aquele moço pegou o telefone, chorando, muito triste, implorando:
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- " Fala pra mim, diga a verdade: de onde vem esse medo que machuca tanto a gente ?. Quero entender, pois me parece tudo errado. Parece um fogo cruzado e não consigo entender !. Venho procurando há tanto tempo,... por quê não me telefona ?. Pelo menos diga-me para esquecer... Tenho o coração partido, sei que estou chegando ao fim. Está tudo errado, é essa Indiferença que me mata. È essa Indiferença que me mata... !".
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Eu deveria ter lido aqueles poemas e sentido com o coração, não apenas com os olhos e com os ouvidos pois assim é tudo tão vazio. É a pessoa que Queremos Bem que nos fala e não conseguimos dar atenção, menos ainda ouvir e entender sua mensagem.
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É como "falar ao vento":- ... As palavras rompendo-se em letras desencontradas que vão seguindo pelo ar sem qualquer sentido que se possa compreender, mas trazendo o amargo sentimento da ruptura que fere o coração e a alma, na percepção de quem ama, enquanto a súplica da presença só encontra como eco a Indiferença !.
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Fala pra mim, diz a verdade...!.
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BEM QUERER:-... Vou ler novamente, como sendo a primeira vez, tudo que meu pai escreveu. Em seus poemas, há tanta verdade tão linda que só agora que descobri vou poder entender !.
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Raul Ramos Neves de Abreu
07 - Novembro - 2015

sábado, 24 de outubro de 2015

OLHOS E OLHARES !.

Há olhares que por si só bastam para tudo dizer e percebermos o seu sentido. E não esquecemos.
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Há olhos que nos tocam, de uma forma ou outra, e nunca esquecemos !.
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Aquele olhar sereno, radiante, repleto de orgulho trazia um grande sentimento de  alegria, paz, disposição, esperança e vitória !. Tudo o que se queria ver:  “aquele olhar de aprovação, de consentimento, de conforto !”.
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Aquele olhar sisudo, aborrecido, decepcionado, desiludido,... Era tudo que não se queria ver: “aquele olhar de reprovação, de repreenda, admoestação, causando tristeza e desilusão !”.
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Há olhares que estimulam o bem viver. Há olhares que desanimam.
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Aquele olhar daqueles olhos...
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Há olhos que gostaríamos para sempre ter, aqueles que admiramos, que amamos, que desejamos e até invejamos !. Não esquecemos.
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Há olhos que  nos machucam pelo modo de nos olhar !.
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Há aquelas pessoas que nos marcam por seus modos de olhar ou pelos olhos que possuem. Não esquecemos !.
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Quando a luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus, resolvem se encontrar. Ai que bom que é isso meu Deus ! Que frio que me dá, o Encontro desse Olhar !” (Vinicius de Moraes – Pela luz dos olhos teus)".
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“ Olhar você me faz refletir, tudo que vivemos e o que há por vir !. Pois tudo passa quando você me abraça e, quando você me abraça... e quando me beija, arrepio dos pés à cabeça !. Pois tudo passa quando você me abraça e quando você me beija, Desejo ter você para a vida inteira !”. (Marauê – Olhar você).
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Há olhares que não esquecemos e há aqueles olhos que lembraremos a vida inteira !.
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Seus olhos parecem estrelas que iluminam a minha vida e o seu olhar é como a mais preciosa seiva que alimenta a minha alma !.
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SHEENA EASTON - "FOR YOUR EYES ONLY"
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Raul Ramos Neves de Abreu
23 Outubro 2015

domingo, 18 de outubro de 2015

ORQUÍDEAS... !

Orquídeas são as plantas que compõem a família ORCHIDACEAE, pertencentes à Ordem ASPARAGALES, uma das maiores famílias de plantas existentes. 
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Apresentam muitíssimas e variadas formas, cores e tamanhos e existem em todos os continentes, exceto a Antártida, predominando nas regiões tropicais.
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São em sua grande maioria EPÍFITAS, ou seja, as que crescem sobre as árvores, usando-as tão somente para apoiarem-se na busca da luz.
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Não são plantas PARASITAS, pois nutrem-se de materiais em decomposição que caem das árvores e acumulam-se emaranhadamente nas raízes das orquídeas.
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Encontram-se em muitas formas na natureza, sendo a quantidade de espécies diferentes (naturais) de aproximadamente (conhecidas) 25.000 espécies.
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Observe-se ainda que há um variado e quase desconhecido número (no total) de espécies HÍBRIDAS (cruzamentos de espécies diferentes, gerando uma nova espécie) tanto no seu habitat natural (meio ambiente) quanto pelas ações dos Orquidicultores que desenvolvem centenas ou milhares de novas espécies todos os anos.
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É muito comum que as pessoas recebam, como presentes, belas e floridas Orquídeas e quando as flores murcham e caem, elas são jogadas no lixo, desconhecendo, na maioria das vezes, que a Orquídea não morre mas pode continuar sendo tratada na forma em que foram presenteadas, em vasos, por exemplo, ou transplantadas em árvores, pois os troncos das árvores são o HABITAT NATURAL das orquídeas.
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Deve-se observar, entretanto, que tais plantas gostam de lugares iluminados mas sem a ação do Sol diretamente sobre elas, ou vento em demasia.
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Orquídeas gostam de umidade e, portanto, devem ser regadas periódicamente mas com o cuidado para que á agua escorra e não fique presa às raízes da planta pois isso fará com que as mesmas sofram e façam com que a planta morre. Adubos e fertilizantes devem ser aplicados periodicamente, ou seja, uma vez por mês. Orientações específicas sobre os tipos de adubos e a forma de aplicação são encontradas nos rótulos de tais produtos e/ou orientação de especialistas nas lojas especializadas. Também há literatura variada na internet sobre como tratar a sua orquídea.
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CYMBIDIUM
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PHALEANOPSIS
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DENDROBIUM NOBILE
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ONCIDIUM CHUVA DE OURO
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DENDROBIUM - variadas
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VANDA
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CATTLEYA
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Raul Ramos Neves de Abreu
18 / 10 / 2015


sábado, 10 de outubro de 2015

AINDA HAVERÁ O NOSSO TEMPO !.

Os  dias têm passado e acabamos não nos dando conta de que havia tanto por fazer para nos entregarmos. O tempo passou e agora nos demos conta disso !.
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Sonhávamos com o campo, as montanhas, o mar, as estrelas, uma cabana florida cheia de rosas, dançando ao som de músicas suaves e tão alegres retratando a vida de como é bom viver e amar eternamente !.
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E o tempo passou !.
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A memória insistente, afetivamente tão forte, saudosa, traz a todo momento o desejo de que se cultive o tempo, que venha o tempo para que paremos sem pensar em nada mais senão apenas em amar e seguir adiante por uma deliciosa estrada, sem fim, até o tempo que não se conta e fique presente para sempre !.
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Ainda temos todo o tempo do mundo. Não é preciso dizer mais nada !.
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“... Find someone that can make you smile, and don’t give up on them ! “
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Música:  We have all the time in the world - Louis Armstrong
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Raul Ramos Neves de Abreu
10 de Outubro de 2015

quarta-feira, 1 de julho de 2015

NOSSA SHANGRI-LÁ

Em Janeiro de 1963 foi publicado no Jornal O TAMBAÚ, o texto com o título "NOSSA SHANGRI-LÁ" de autoria do Professor SEBASTIÃO ALICIO SUNDFELD, conhecido carinhosamente como Professor SEBAS !.
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NOSSA SHANGRI-LÁ
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Como sabem, SANGRI-LÁ é aquele lugar ideal concebido por James Hilton em seu famoso romance "HORIZONTE PERDIDO". 
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E tão famosa foi a obra que a expressão Shangri-lá continua servindo de paradigma a tudo que diz respeito a algo de bom, de perfeito, de belo.
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Porém, no romance, o extraordinário lugar era inacessível, impossível alcançá-lo. Não tinha estradas.
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É o caso de Tambaú, cidade gostosa para se viver, onde a perturbação dos conflitos ainda não ocorrem como na promiscuidade social dos centros maiores. Mas, se Tambaú é uma Shangri-lá para se viver, também é uma Shangri-lá sem estradas. Tanta semelhança assim já é um exagero.
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Quem precisa de se locomover dessa querida terra para outros lugares, ou para cá voltar, tem de se armar com força de vontade, paciência e coragem, porque enfrentar uma epopéia será inevitável.
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Portugal descobriu mais depressa o caminho marítimo das Índias do que Tambaú para conseguir sua estrada estadual. Estrada estadual, bem entendido, no sentido reto da expressão, porque rodovia oficial que se preze não é essa barreira, esses atoleiros, esses aclives e declives derrapantes que aí temos. Rodovia Oficial não pode ser isso. 
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Aliás, esse trecho de estrada que aí temos, ligando Tambaú a Palmeiras foi ao tempo do Governador Garcez. De então para cá, esses 13 quilômetros de rodovia tem dado "pano para mangas". Não só o trecho de Tambaú, mas o que pertence a Palmeiras também.
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Olhem que esse Ônibus da linha Tambaú-Campinas, que tenta estender o percurso até São Paulo, vem sendo heróico. Por outro lado, não é possível a Empresa melhorar de veículo porque de uma hora para outra é um eixo que pode partir, uma derrapada contra o barranco, e etc., etc., etc. !. A perícia do chauffeur é que tem sido providencial.
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Tambaú é uma Shangri-lá... moderna !. Claro, ... tenhamos paciência pois os meios de comunicação logo virão !.
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Mas, não aqueles dos lhamas Tibetanos, que se comunicam por telepatia, mas estradas com veículos circulando direitinho, nos horários e percorrendo o caminho corretamente.
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Sei que "Transmissão de Pensamento" vale muito pois, nós, privilegiados moradores de Shangri-lá concentrarmo-nos emos em "onirismo" coletivo !!!.
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Então,... vamos agora: todos emanados num só pensamento:  "es-tra-da"... "es-tra-da"..."es-tra-da" ... Aummmmmm !!!!...
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Aummmmm..... As antenas receptoras de nossos governantes hão de atender-nos, é certeza ! E, assim,... Tudo por nossa querida Tambaú, o nosso "Doce Shangri-lá ! ".
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Hoje estamos em Julho de 2015.
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Em princípio de 1964 iniciaram as obras das estradas com asfalto, fruto da união do pensamento e do esforço coletivo - o "Mantra Sagrado" !. Tambaú ficou mais linda, mais aprazível, digna de seu honroso título " Tambaú Shangri-lá a Cidade das Chaminés Fumegantes !". Aummmmm !.
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Professor Sebas com sua filha Bernadete em Solenidade na Loja Maçônica de Tambaú, sendo homenageado por todos os seus feitos dignamente realizados durante toda sua vida.
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Raul Ramos Neves de Abreu
  01  de Julho de 2015

terça-feira, 30 de junho de 2015

UMA SERESTA EM TAMBAÚ

O jornal " O TAMBAÚ " em sua edição datada de 28 de Julho de 1963, entre vários artigos, publicou a crônica " QUERER BEM " escrita por BOLIVAR AMARAL ABREU, como uma doce lembrança e homenagem:
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" Ao grupo de Homens que na despretensiosa apresentação de sua arte, mantem viva a Alma Romântica desta Terra, na poesia mais sublime cuja métrica difícil é a Música !."
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A luz acesa, pendendo do teto nobre, qual lua artificial num céu de madeira, rebrilha no polido metal dos instrumentos empunhados por mãos rudes de homens simples.
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Nos semblantes há uma apaixonada expectativa. Nos olhos, um brilho de extraordinária satisfação - luz da alma em êxtase que se esconde no corpo do músico.
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Depois, um leve sinal, imperceptível sinal que tem a magia de transformar o silêncio em algo diferente, em algo suave que, num crescendo de harmonia, completa a Beleza do momento !.
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É a música que se inicia !.
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É a alma do músico, é a alma do compositor, a alma de quem ouve, de todos que se desprendem num sôpro, abraçados, sonhando, bailando, em um comovido ritmo de valsa.
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MUSICA: BRANCA    -      COMPOSITOR: ZEQUINHA DE ABREU
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Fecho os ohos e escuto apenas o tempo que roda, roda,...
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Bancos de jardins passam rodopiando, batidos de luz, mármore frio, sem alma na alma das noites que se vão... !.
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Casais de namorados conversando ao luar,... um leve rumor de beijos !.
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Sombras que se escondem nos jardins, entre tufos de roseiras perfumadas, soluçando com a voz do vento as juras nunca esquecidas !.
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A quermesse, cheia de misterioso encanto dos "cartões-elegantes", levando mensagens gentis de amor inocente, começo de romance que sempre tem a duração efêmera do instante de festa...
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Tudo vai passando com a vertigem deliciosa de um sonho, girando,... girando,...girando... !.
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Abro os olhos:
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Não !. Não morreu a beleza das noites, o encanto das ruas, a poesia dos jardins: Está tudo presente, agora nesta sala de paredes azuis, lisas, onde a "Bandinha" executa apaixonada a linda valsa que ouço e que é gravada, com capricho, por alguém que sabe compreender o envolvente encanto dessas músicas de seresta - voz das almas enamoradas da eterna beleza da noite, dos poetas das ruas desertas, cheias de luar e sereno !.
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Que comovido adeus de alguém, que soluço triste, em sons de música, nessa valsa tão bonita !.
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E que poetas abnegados a transformá-la em algo tão sublime, retendo na alma da terra a alma da poesia que é um Sonho !.
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Esses Homens que cansam o corpo no trabalho árduo do todo-dia, mas, à noite, encontram ainda um vigor diferente no coração para falar com a música aos outros desta doce terra !.
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Alcino Morandin no seu Baixo mi-bemol, ... Augusto Rochetti no Bombardino, ... Angelo Arrighi no Sax , ... Olimpio Lopes de Faria e Osvaldo Giaretta no Trombone de Harmonia, ... Nelo Macatrozzo e Alécio Martinelli no Pistão, ... Antonio Vicente Morandin no Trombone de canto, ... Diomedes D'Ercole na Clarineta, ... Joaquim Dutra no Bumbo, ... Amauri Rocco na Caixinha, ... e Avelino Xavier no Surdo.
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A luz acesa como Lua Artificial, num céu de madeira, ilumina a sala !.
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Eu os vejo, todos, enlevados, desprendidos, empunhando seus instrumentos na execução bonita de uma valsa antiga.
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Um gravador moderno, coração de metal, frio, sem vida, mas que retém todas as notas para repetí-las depois, ... não sei porquê !.
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E a valsa dolente passeia pelo ar, com um aceno de adeus, fugindo pela janela para a noite fria... !.
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Dolorosa separação !.
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Raul Ramos Neves de Abreu
         30 Junho 2015

quarta-feira, 29 de abril de 2015

HOMEM, UM SER SOLIDÁRIO !.

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Pré-julgar é um ato infeliz praticado por pessoas, no mínimo, mal informadas !. Quando não, mal intencionadas.  
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Portanto, mister se faça a compreensão da verdadeira intenção, cá explicitada, no afã de amenizar eventuais tormentos que as pessoas do sexo tão delicado e frágil, claro que nos referimos às mulheres, eventualmente possam ser acometidas ou já se encontram em tal estado.
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Estava dia desses observando BALTAZAR, um carijó muito dedicado, carinhoso e grande defensor de sua tão saudável  “família fasianídea” !.
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- Có... có.. có... có...
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Enquanto ciscava o terreiro, ia logo Baltazar convidando as galiformes para saborearem e abastarem-se com aquelas apetitosas especiarias que ele, com todo cuidado e amor, ia tão “cavalheirescamente” retirando do solo.
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- Có ... có ... có ... có... !

BALTAZAR
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Baltazar a qualquer movimento suspeito vindo lá doutra banda, ia alertando de eventuais perigos e, já todo garboso, lançava-se de peito altivo contra o que pudesse surgir, fosse até uma raposa, quem sabe um gato do mato, ou até mesmo um “gatuno” que houvesse pulado a cerca visto ser apenas um “pé-rapado ladrão de galinhas” !. E ele, Baltazar, impunha respeito e sempre punha para correr o indesejado perigo.
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- Bom dia, dona Madame,... obrigado madame !.
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E assim ia ele de penosa em penosa, cumprindo o seu papel de Homem Solidário e Protetor, carinhoso que se diga outra vez, levando o conforto e um pouco de amor à sua e suas queridas amadas.
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Interessante: todas elas felizes e nada ciumentas !.
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As FASIANÍDEAS
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Fico cá pensando:
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Vivemos nos dias atuais tal liberação da “franga” que é normal ouvirem falar:
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- Já não se fazem mais Homens como antigamente !.
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E assim dizem com orgulho e muita propriedade pois há aqueles que trabalham dentro de “armários”, outros que, assumidos, “saíram dos armários” e ainda uns outros que, devido aos intempéries da vida, quer seja no ambiente de trabalho, quer seja por causa daquele maluco gerente de banco, quer seja pela política corrupta, quer seja pelas injustiças gerais, ou então até mesmo por causa do “Santo” que não perdoa aquele “último gole”,... por tantas inumeráveis e irrelacionáveis razões, ... “já não se fazem mais Homens como  antigamente !”.
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Estatísticas demonstram que em nosso País, 63% da população respondem pelo sexo feminino. Dos restantes 37%, podemos afirmar que apenas 10% “ainda” são homens, enquanto que o restante tem cerca de 5% de Homens com problemas de saúde e os demais 22% assumiram a Bandeira do ARCO-ÍRIS e dizem: Ui...ui..ui....!!!.
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Portanto, CQD (conforme queríamos demonstrar), há muita mulher sobrando e pouco homem que possa ser um DIGNO BALTAZAR para ciscar o terreno e proteger com a Hombridade necessária às doces e lindas mulheres que enfeitam o Jardim de nossa Casa.
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Mulheres ! Ah, as mulheres !!!.
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São loiras, são ruivas, morenas, vermelhas, amarelas,... são tantas,.. são "Rosas, Formosas, Mimosas, são Rosas de Abril, de Janeiro a Dezembro, são lindas as Rosas do Ano Inteiro, são muitas, são tantas, são todas crianças, a me confundir, Ah... são Rosas, são Rosas, são Rosas "... ! Ah,... coitadas das mulheres com tantos afazeres por fazer e a carência tão grande de um Baltazar !.
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Estive esses dias pensando: 
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Tenho algo parecido com BALTAZAR: eu tenho um BAITA AZAR !.
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Explico: Os Homens são SOLIDÁRIOS (estes 10% que existem) mas as mulheres, 63%, são EGOÍSTAS, diferentemente daquelas fasianídeas pois, enquanto convivem harmoniosamente com Baltazar, as outras, egoístas, querem-no apenas para si e “ai se o coitado (nós) resolver pular a cerca para a seara alheia ! ”... vira frango ensopado e é servido como “CALDO DE GALINHA !”. Duro pensar nisso: o “touro sendo comido como carne de vaca !”. Melhor então ser apenas os 5% e dizer: “já fui bom nisso !”.
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Fico cá imaginando (vivo na imaginação):- que bom seria que as mulheres, pelo menos umas 45% das 63% existentes fossem mais tranquilas e menos exigentes !.
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Então poderíamos, nós os 10%, visitar a cada dia uma respeitada Senhora ou Senhorita e dizer:
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- Bom dia madame, hummmm... !. Obrigado madame... !.
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Como o beija flor, indo de flor em flor levando, todo dia, o seu carinho e o seu amor !.
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Meu nome é Salazar,... Mas estou seguro que ainda irão me chamar:
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- Vem cá, Baltazar,... vem cá Baltazar !.
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Dorival Cymmi  -  Das Rosas
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. Raul Ramos Neves de Abreu
29 Abril 2015
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sábado, 11 de abril de 2015

À SOMBRA DAS TAMAREIRAS

Despediam-se da conterrânea, proferindo a oração póstuma na língua pátria, homenagem emocionante na hora derradeira.
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Embora a tristeza do momento, uma beleza solene envolveu o ato, pois, mesmo na presença da morte, a expressão comovida de lágrimas puras, quase como uma prece a envolver os sentimentos sublimando o pranto.
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Kasma, naquela tarde, partia para o seu merecido repouso deixando a comunidade árabe e todas as demais pessoas moradoras daquela cidadezinha muito desconsoladas.
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Kasma e Abud eram Libaneses.
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De sua família estavam presentes seu marido Abud e os filhos Salomão, Kalisto, Sarah, Jorge, José, Sada, Clarita, Elias e Assima (também conhecida como Sumeia). Entre sons estranhos de uma língua estranha, a expressão da tristeza no aceno de adeus, poesia dos que ficavam àquela querida que partia.
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Olhos marejados em tantas lágrimas...
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Não se entendiam as palavras, mas a alma dos presentes podia traduzir na entonação, o sentimento, a sinceridade e o carinho de todos que ali manifestavam.
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Estranho,... a poesia declamada nas lágrimas transformando-se em palavras !.
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O céu se transformou de repente. Entardecia, quase noite. Tudo mudando com o caminhar silencioso, a brisa como um doce afago, os últimos raios solares em tons tão serenos.
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Pensamentos voltados a lugares distantes, misteriosos, gélidos nas noites ao amanhecer e causticantes naquela imensidão do deserto, contrastes dos contrastes, como em um sonho mergulhado nas maravilhosas estórias do Saara !.
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Véus sobre o rosto, ela havia se transportado do longínquo por artes do destino caprichoso, aos ventos tropicais de outra terra.
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Aqueles mistérios do Oriente, de camelos e aragens quentes, do frescor das águas de Oásis à sombra de Tamareiras, das areias desconhecidas, aqueles contos de noites em que o Califa desposava gentilmente a filha do Sultão, ...  jaziam lá no passado que se transformou em um presente de estrelas majestosas em uma poesia sutil diante da cruz simbólica do sul ocidental.
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Salaam Aleikum... ! Salaam Aleikum...
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Orações no idioma árabe que poucos entendiam...
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O doce aroma de tâmaras no cicio das tamareiras... O deserto, a areia, os véus e seus mistérios,... o caminhar silencioso de volta às casas daqueles todos entristecidos da pequena cidade, todos voltados num só pensamento e em um só nome: Kasma !.
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Nas orações nos idiomas não conhecidos, poder-se-ia entender o sentido de um poema choroso declamado tão vibrante:
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..Tu, que despertaste à luz das Mesquitas e te viste crescer à luz de uma terra diferente;
..Tu, que ouviste falar das noites mais lindas, de encantos, mistérios e lendas férteis de ...imaginação;
..Tu, que acordaste lá e que a sorte te fez dormir aqui;
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..Ouve:
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..Onde descansas, Kasma, embora em lugar tão diferente, ouvirás, como consolo, a voz da ..Pátria distante, na poesia derradeira – como se a natureza pranteasse, também, a ..despedida, quando a noite velar por teu último sono, à luz do Cruzeiro do Sul, de um ..murmúrio de Palmeiras e lamentos de brisa – algo que então dirá aos teus ouvidos:
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....- Saudade, gosto tão doce,
....- Saudade tão roxinha,
....- Como tâmara fosse,
....- Da minha querida terrinha !.
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(esta crônica foi escrita por meu pai, BOLIVAR AMARAL ABREU, em homenagem ao passamento de Sra. Kasma em Outubro de 1963, na cidade de Tambaú - interior do estado de São Paulo - Brazil.  Foi na ocasião publicada no  Jornal O TAMBAÚ.).
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Raul de Abreu Neto
11 abril 2015

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O JUIZ e o LADRÃO DE GALINHAS !

O Meritíssimo JUIZ Trazíbulo Nogueira, de 41 anos de idade, substituto da Comarca de Varginha – Minas Gerais, ex Promotor de Justiça, concedeu “Liberdade Provisória” a um sujeito preso em flagrante e por ter perguntado ao Dr. Delegado:
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- Dotô, desde quando furto de galinhas é crime neste Brasil de Bandidos ?.
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O Magistrado lavrou então sua Sentença em versos:
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No dia cinco de Outubro,
Do ano ainda fluente,
Em Carmo da Cachoeira,
Terra de boa gente,
Ocorreu um fato inédito,
Que me deixou muito descontente !.
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O jovem Luizmar da Silva,
Conhecido por Pombinha,
Aproveitando a madrugada,
Resolveu sair da linha,
Subtraindo de outrem,
Duas saborosas galinhas !.
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Apanhando um saco plástico,
Que ali mesmo encontrou,
O agente muito esperto,
Escondeu o que furtou.
Deixando o local do crime,
De maneira como entrou !.
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O Senhor Itamar da Costa,
Homem de muito tato,
Notando que tinha sido,
A vítima do grave ato,
Procurou a autoridade,
Para relatar-lhe o fato !.
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Ante a notícia do crime,
A polícia mui diligente,
Tomou logo, do Dono, as dores,
E formou o seu contingente:-
Um cabo e dois soldados,...
E quem sabe até um Tenente !.
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Assim foi que o aparato,
Da Polícia Militar,
Atendendo a ordem expressa,
Do Delegado Titular,
Não pensou em outra coisa,
Senão o ladrão capturar !.
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E depois de algum trabalho,
O larápio foi encontrado,
Num bar foi capturado,
E nem esboçou reação,
Sendo conduzido então,
À frente do Delegado !.
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Perguntado pelo furto,
Que havia cometido,
Respondeu Luizmar da Silva,
Bastante extrovertido:
“ Desde quando roubar galinhas é crime,
Neste Brasil de Bandidos ?!!! “.
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Ante tão forte argumento,
Calou-se o Delegado,
Mas, por dever de seu cargo,
O flagrante foi lavrado,
Recolhendo à cadeia,
Aquele “pobre coitado” !.
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E hoje, passado um mês,
De ocorrida a prisão,
Chega-me às mãos o inquérito,
Que me parte o coração,
Solto ou deixo o preso,
Esse mísero ladrão ?.
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Soltá-lo é decisão,
Que nossa Lei refuta,...
Pois todos sabem que a Lei,
É só pra Pobre, Preto e Puta !.
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Por isso peço a Deus,
Que norteie minha conduta,
É muito justa a lição,
Do Pai destas Alterosas,
Não deve ficar na prisão,
Quem furtou só duas “Penosas” ,
Pois, sei lá também se não tão presas,
“Outras” pessoas bem mais “charmosas” !.
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Afinal não é tão grave,
Aquilo que Luizmar fez,
Pois, nunca foi do Governo,
Nem sequestrou o Português (Abilio Diniz),
E muito menos do “GÁS” (Petrobrás),
Participou alguma vez !.
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Desta forma é que concedo,
A esse homem da simplória,
Com base no CPP,
A sua Liberdade Provisória,
Para que volte logo para casa,
E passe a viver na glória !.
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Se virar homem honesto,
E sair dessa sua trilha,
Permaneça em Cachoeira,
Ao lado de sua família,
Devendo-se, “se ao contrário”,

Mudar-se já para BRASÍLIA,
... onde EM GRANDE FESTA vivem,... 
Os outros de sua Família !.
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Raul Neves Ramos de Abreu
Fevereiro de 2015
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

NO TEMPO DO BAN-LON .

Houve um tempo em que jovens usavam roupas de Ban-lon - aquele tecido sintético nascido nos EUA e que vestiram, entre finais dos anos 50 até alguns dos anos 60, milhões de brasileiros que não se importavam com a inadequada sensação de calor trazida por aquelas blusas, camisetas, conjuntos e até vestidos.
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Naquela época as mulheres não arredavam pé, em suas viagens, se não estivessem acompanhadas de suas frasqueiras e, óbvio, de alguns conjuntos de Ban-lon.
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Na música, Elvis Presley fazia sucesso com " Bridge Over Troubled Water " e esse pop-star do rock-and-roll, deixava as garotas alucinadas quando assistiam a seus filmes sensuais, enquanto que os rapazes tentavam imitar o cantor deixando seus cabelos crescerem para aquele penteado com um "topete de fazer inveja " !.
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Elvis Presley - Bridge Over Troubled Water
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Nos Ginásios, os alunos tinham aulas obrigatórias de idiomas - Inglês e Francês e ensaiavam frases de amor para quem tanto admiravam e aproveitavam as tradicionais "quermesses" em festas juninas para o envio de "Correios Elegantes" dizendo anonimamente:-
- Je T'aime !.  I Love You !.
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Tempos dourados, tempos de alegrias, ingênuos, de inocência, doces ilusões, muita vontade de viver despreocupadamente !.
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Certo dia surgiu uma linda garota, desacompanhada, caminhando pela calçada de uma das ruas principais da cidade... !. Era Julho, temperatura fria, garoando, e ela protegendo-se com uma sombrinha colorida e vestindo um charmoso conjunto, blusa e casaco, de Ban-lon azul !.
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Como não tinha visto aquela garota antes ?.
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Cidade pequena, todas as pessoas daquela idade eram conhecidas, mas aquela garotinha nunca havia sido percebida... ? Seria recém chegada de alguma outra cidade ?. Estranho,... tinha uma irmã, de mais idade, que era nossa amiga e participava de nossas costumeiras festinhas em casas de amigos ou no clube social !. 
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Mas,... ela nunca havia sido visto antes ou, pelo menos, percebida até então !.
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Fiquei ali boquiaberto admirando a moça passar:- um rosto angelical, um sorriso tão meigo, um andar tão manso, um jeitinho tão atraente !. A "flecha do cupido" acertou-me de vez !.
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Foi a primeira vez, inesquecível e acabou de vez com o sossego, dando vez à ansiedade, à vontade de conhecer, de conversar, de conseguir sua atenção !.
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Engraçado:- até então, me preocupava somente com encontros com os amigos, as festinhas caseiras, os esportes, jogar bolinha de gude, andar pelas matas, pescar, dançar, ir ao cinema nas matinês,... Coisas de criança chegando à adolescência !.
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Não havia pensado ainda que o coração fosse, de repente, bater acelerado por causa daquela visão tão linda que parecia " O Jardim do Éden " e, menos ainda, percebido que já me tornara um adolescente, um jovem vaidoso, "metido" a homem grande - conquistador, mas, sem, enfim, com aquele necessário "traquejo" para abordar a mocinha !.
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Antes, era "livre,despreocupado, leve e solto", mas, a partir daquele instante ansioso e cheio de sonhos !.
- Ainda vou conhecer aquela garota e ela será minha namorada !.
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Os dias se passavam e a ansiedade ia aumentando cada vez mais... !.
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Aquela moça do Ban-lon azul... !. Apaixonei-me por tudo que era azul !.
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Alguns dias depois houve um baile no clube e lá estava ela sentada à mesa com seus pais e sua irmã !. ("Melhor", pensei: sou amigo de sua irmã e assim terei o que conversar).
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- Olá, você gostaria de dançar comigo ?.
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Para minha surpresa, alegria e alívio ela levantou-se suavemente com aquele meigo sorriso aceitando meu convite. 
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Dançamos algumas músicas. Pensava em como começar uma conversa, como perguntando de onde ela era já que não havíamos nos conhecido antes, mas... que bobagem já que eu era amigo de sua irmã fazia tempo...!. Falar sobre os amigos, sobre a cidade, sobre qualquer coisa... mas a voz estava presa, o medo tomou conta, o corpo tremendo e nada se falou até a música terminar !.
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Ficou a alegria de ter tido aquela princesa por alguns momentos em meus braços e sentir o seu perfume encantador e inesquecível ... !.
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Os dias passaram, os meses,... os anos !.
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Os tempos mudaram: já não usam Ban-lon, Elvis Presley morreu há muitos anos, não há aulas de Inglês ou Francês nos "Ginásios", ninguém sabe o que é um Ginásio senão apenas o de esportes, as brincadeiras de crianças já não são mais a bolinha de gude, as festinhas na casa de amigos não têm mais aqueles salgadinhos, sanduichinhos e  Ki-suco e nem aquelas vitrolas com as musicas daqueles fantásticos discos de vinil  ... !. 
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As mulheres não mudaram: continuam viajando com suas "frasqueiras", quero dizer:- com especiais bolsas de grifes que evoluíram tomando lugar daquelas outras daqueles tempos !.
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Mas,... algumas coisas não mudaram:- Ainda não consegui dizer àquela garota de Ban-lon Azul, tudo aquilo que me fez sentir e sonhar desde aquele dia que a conheci e desejei que fosse minha namorada !.
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Será que existe a "Máquina do Tempo" ???...  
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Sempre gostei muito das canções de Elvis Presley mas descobri que de nada adiantou o meu cabelo com aquele "topete de pop-star" pois, na verdade, uma fantasia como a máscara de um baile de carnaval acaba escondendo a "fragilidade" do que somos feitos !.
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Será que existe a "Máquina do Tempo" ???...
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Raul Ramos Neves de Abreu
Fevereiro - 2015