sábado, 19 de janeiro de 2008

O JARDIM DO JOÃO PEROBA

Mês de Julho normalmente trazia um friozinho que era sentido logo pela manhã, amenizava um pouco a tarde e gelava à noite!

A cidadezinha ficava ao centro de elevações que não chegavam a ser montanhas. Há quem aposte que ali era uma cratera de vulcão extinto há milhões de anos!

Matas virgens ao redor da cidade. Um riacho de águas cristalinas que nascia bem perto e desaguava numa linda cachoeira em uma cidade vizinha. Uma fonte de água mineral, fresquinha, deliciosa, nascia na pedreira.

Todos os tipos de pássaros sobrevoavam a cidade. Muitas frutas, muita mata.

O jardim da Igreja era magnífico. Arbustos eram podados em formatos de animais.

João Peroba, o jardineiro, cuidava daquele jardim como ninguém cuidava de um próprio filho. E todos admiravam e respeitavam suas criações.

À noite, quem passava por aquele jardim tinha a impressão que estava em um Zoológico, florido, perfumado, bem cuidado – um verdadeiro Shangrilá!

Pela manhã, ou pela tarde, nada era diferente: um Paraíso chamado Jardim do João Peroba.

Era um homem forte, claro, talvez filho de italianos, de fala mansa, muito educado, de uma sensibilidade artística como poucos.

Jogava futebol em time da cidade. Ninguém jogava como ele, era um grande atleta, forte, leal, irretocavelmente perfeito e ainda por cima um verdadeiro cavalheiro.

Sob o arbusto de uma Lhama, havia um banco com os dizeres: “oferta dos amigos do ECU” – Esporte Clube União, sob outro arbusto, outro banco – “oferta dos amigos do ECO” – Esporte Clube Operário e muitos outros bancos ofertados pelas casas comerciais, por autônomos, políticos, torcedores dos times de futebol do País, etc.

No centro do jardim, havia uma fonte. Circundando a fonte, vários bancos e assim sucessivamente. O jardim era um lugar tranqüilo, fresquinho, convidativo para meditação, repouso, leitura, passeio e namorar.

Uma tarde de sábado, dia de festa na cidade, os jovens saiam da Igreja onde houvera uma atividade tradicional da época. Todos alegres, amigos, de espírito elevado e tranquilos.

Um rapaz não resistiu à emoção e decidiu abrir seu coração àquela garotinha de sorriso tímido, olhar tão meigo que estava de mudança da cidade. Ele não imaginava o que seria de sua vida não vê-la mais e, quase sem fala, com o corpo todo tremendo, sentou-se ao lado da garota:
- Sabe,... nem sei como dizer,... mas é que eu gosto tanto de você !
- Eu também gosto muito de você. Você é o meu melhor amigo...
- É, mas eu gosto de você, mais que um amigo, ... não sei nem como explicar!
- Eu também!
- Você também?
- Sim, eu também. Pensei que você nunca iria falar comigo sobre isso... e eu vou embora da cidade.
- Eu sei; pensei tanto nisso. Nem dormi essa noite. Hoje cedo conversei com meu pai e perguntei como é que a gente pede uma garota pra namorar? Ele ficou surpreso e começou a rir; perguntou-me se eu estava querendo pedir alguém e quem era a garota.
- Não tive coragem de dizer que era você. Eu disse a ele que um amigo meu queria saber... Ele me respondeu que meu amigo tinha que dizer à garota que ele gostava dela e perguntar se ela também gostava dele!
- Você gosta de mim?
- Acho que gosto sim.
- Você gosta? Então será que você gostaria de ser a minha namorada?
- Será que vale a pena? Eu vou embora semana que vem... como vamos fazer?
- Não sei dizer, mas eu sei que eu quero que você seja minha namorada.
- Mas,... Eu esperei tanto tempo você dizer isso! Por que só agora?
- Sabe, eu não sabia se você gostava de mim. Por favor, está tão difícil dizer tudo isso!
- Tudo bem,... e como vamos fazer?
- Eu não sei. Só sei que eu quero namorar você. Nunca namorei antes.
- Eu também nunca namorei. Será que as pessoas vão dizer alguma coisa?
- Não sei! Posso pegar sua mão?
- Ah.. não sei! Está todo mundo olhando!
- Só um pouquinho...
- Está bem,...

Tocaram suas mãos e sentiram uma emoção tão forte, como nunca imaginaram um dia sentir. O coração de cada um daqueles dois jovens acelerava de felicidade!

- Sabe, você é tão linda...
- Eu também gosto de você...

Olharam-se com muito carinho e não resistiram ao encanto daquele momento e beijaram-se de uma forma tão pura...

Os amigos, bem próximos, notaram aquele momento e aplaudiram aquele encontro tão lindo, que os dois ficaram muito envergonhados... mas, aliviados e felizes !

João Peroba observava em silêncio, com um largo sorriso de aprovação e continuou a dar forma a um novo arbusto, pela primeira vez em forma de coração !
-   o    -

Raul Neves Abreu
Mar - 2008

3 comentários:

  1. O Peroba eu conheci. Também eu,gostava dele apesar de atasana-lo um pouco.Um dia ele me deu uma vassourada, porque ele juntava as folhas e a gente esparramava...
    Era lindo aquele jardim!
    30 DE NOVEMBRO DE 2007 18:06
    Rosa Silvestre

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  2. Obrigada!!!
    lindo texto
    21 DE FEVEREIRO DE 2008 01:13
    sandra
    qap

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  3. sandra brunow freitas18 de outubro de 2010 16:30

    Raul.
    Parece com muita história de meu primeiro namoradinho..rsssssssss
    Amei !!!!!!!!!!!

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