quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

NO TEMPO DO BAN-LON .

Houve um tempo em que jovens usavam roupas de Ban-lon - aquele tecido sintético nascido nos EUA e que vestiram, entre finais dos anos 50 até alguns dos anos 60, milhões de brasileiros que não se importavam com a inadequada sensação de calor trazida por aquelas blusas, camisetas, conjuntos e até vestidos.
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Naquela época as mulheres não arredavam pé, em suas viagens, se não estivessem acompanhadas de suas frasqueiras e, óbvio, de alguns conjuntos de Ban-lon.
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Na música, Elvis Presley fazia sucesso com " Bridge Over Troubled Water " e esse pop-star do rock-and-roll, deixava as garotas alucinadas quando assistiam a seus filmes sensuais, enquanto que os rapazes tentavam imitar o cantor deixando seus cabelos crescerem para aquele penteado com um "topete de fazer inveja " !.
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Elvis Presley - Bridge Over Troubled Water
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Nos Ginásios, os alunos tinham aulas obrigatórias de idiomas - Inglês e Francês e ensaiavam frases de amor para os  que tanto admiravam e aproveitavam nas tradicionais "quermesses" em festas juninas para o envio de "Correios Elegantes" dizendo anonimamente:-
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- Je T'aime !.  I Love You !.
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Tempos dourados, tempos de alegrias, ingênuos, de inocência, doces ilusões, muita vontade de viver despreocupadamente !.
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Certo dia surgiu uma linda garota, desacompanhada, caminhando pela calçada de uma das ruas principais da cidade... !. Era Julho, temperatura fria, garoando, e ela protegendo-se com uma sombrinha colorida e vestindo um charmoso conjunto, blusa e casaco, de Ban-lon azul !.
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- "Como eu  não tinha visto aquela garota antes ?.".
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Cidade pequena, todas as pessoas daquela idade eram conhecidas, mas aquela garotinha nunca havia sido percebida (por mim) ... ? 

Seria recém chegada de alguma outra cidade ?. Estranho,... tinha uma irmã, de mais idade, que era nossa amiga e participava de nossas costumeiras festinhas em casas de amigos ou no clube social !. 
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Mas,... ela nunca havia sido visto antes ou, pelo menos, percebida até então !.
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Fiquei ali boquiaberto admirando a moça passar:- um rosto angelical, um sorriso tão meigo, um andar tão manso, um jeitinho tão atraente !. A "flecha do cupido" acertou-me de vez !.
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Foi a primeira vez, inesquecível e acabou de vez com o sossego, dando vez à ansiedade, à vontade de conhecer, de conversar, de conseguir sua atenção !.
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Engraçado:- até então, me preocupava somente com encontros com os amigos, as festinhas caseiras, os esportes, jogar bolinha de gude, andar pelas matas, pescar, dançar, ir ao cinema nas matinês,... Coisas de criança chegando à adolescência !.
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Não havia pensado ainda que o coração fosse, de repente, bater acelerado por causa daquela visão tão linda que parecia " O Jardim do Éden " e, menos ainda, percebido que já me tornara um adolescente, um jovem vaidoso, "metido" a homem grande - conquistador, mas, sem, enfim, com aquele necessário "traquejo" para abordar a mocinha !.
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Antes, era "livre, despreocupado, leve e solto", mas, a partir daquele instante ansioso e cheio de sonhos !.
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- Ainda vou conhecer aquela garota e ela será minha namorada !.
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Os dias se passavam e a ansiedade ia aumentando cada vez mais... !.
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Aquela moça do Ban-lon azul... !. Apaixonei-me por tudo que era azul !.
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Alguns dias depois houve um baile no clube e lá estava ela sentada à mesa com seus pais e sua irmã !. ("Melhor", pensei: sou amigo de sua irmã e assim terei o que conversar).
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- Olá, você gostaria de dançar comigo ?.
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Para minha surpresa, alegria e alívio ela levantou-se suavemente com aquele meigo sorriso aceitando meu convite. 
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Dançamos algumas músicas. Pensava em como começar uma conversa, como perguntando de onde ela era já que não havíamos nos conhecido antes, mas... que bobagem já que eu era amigo de sua irmã fazia tempo...!. Falar sobre os amigos, sobre a cidade, sobre qualquer coisa... mas a voz estava presa, o medo tomou conta, o corpo tremendo e nada se falou até a música terminar !.
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Ficou a alegria de ter tido aquela princesa por alguns momentos em meus braços e sentir o seu perfume encantador e inesquecível ... !.
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Os dias passaram, os meses,... os anos !.
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Os tempos mudaram: já não usam Ban-lon, Elvis Presley morreu há muitos anos, não há aulas de Inglês ou Francês nos "Ginásios", ninguém sabe o que é um Ginásio senão apenas o de esportes, as brincadeiras de crianças já não são mais a bolinha de gude, as festinhas na casa de amigos não têm mais aqueles salgadinhos, sanduichinhos e  Ki-suco e nem aquelas vitrolas com as musicas daqueles fantásticos discos de vinil  ... !. 
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As mulheres não mudaram: continuam viajando com suas "frasqueiras", quero dizer:- com especiais bolsas de grifes que evoluíram tomando lugar daquelas outras daqueles tempos !.
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Mas,... algumas coisas não mudaram:- Ainda não consegui dizer àquela garota de Ban-lon Azul, tudo aquilo que me fez sentir e sonhar desde aquele dia que a conheci e desejei que fosse minha namorada !.
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Será que existe a "Máquina do Tempo" ???...  
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Sempre gostei muito das canções de Elvis Presley mas descobri que de nada adiantou o meu cabelo com aquele "topete de pop-star" pois, na verdade, uma fantasia como a máscara de um baile de carnaval acaba escondendo a "fragilidade" do que somos feitos !.
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Será que existe a "Máquina do Tempo" ???...
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Raul Ramos Neves de Abreu
Fevereiro - 2015

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

SE EU PUDESSE REALIZAR APENAS UM DESEJO ...

" A hora certa é aquela em que o coração diz baixinho:  Vai ! ".
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Eu e essas minhas vontades,.. Nada é tão belo quanto a cor azul do céu,.. à noite !.
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Antes de dormir, vou pedir a Deus para lhe proteger, pois desejo que possa ver com os "olhos da alma" tudo que está lá fora,.. e que é só para você !.
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 Ouça,..! O Mar está cantando: é uma onda que vem e que vai,... !. Que vem e que vai... !. E assim também vai meu pensamento, longe, bem longe,.. mas só ao ar !.
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Admirando esse lindo mar com essas ondas que vêm e que vão, sinto como naquela música, aquele desejo sublime de bem querer:


..." Je t’aime, ... je t’aime !
...Oh, … oui ! je t’aime !
...Oh mon amour, ... je t’aime !
...Comme la vague irrésolue, ...
...Je vais, ... je vais et je viens,...
...Entre tes reins ...
...Et je me retiens ...
...Je t’aime je t’aime !
...Tu est la vague, moi l’île nue, ...
...Tu vas, et tu viens, ...
...Entre mes reins, ...
...Et je te rejoins, ...
...L’amour physique est sans issue, …
...Alles! … comme la vague irrésolue,…
...Je vais, tu vas, je viens, tu viens,…
...Non ! maintenant !... Viens !... "
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As ondas do mar, que tanto amo, trazem-me um pensamento de Vinicius que não consigo esconder:  ... " Eu sem você, sou só desamor, um barco sem mar, um campo sem flor !".
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E também, como dizia Bob Marley,... " Sendo a vida tão bela, todo dia haveria sol, todo mar haveria ondas e o barulho do mar, ... as ondas, todo dia seria música - um reggae de amor ! ".
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Só sei que quero ser Feliz nessas ondas, esquecendo de tudo mas sonhando,... sonhando,... sonhando acordada e realizando esse desejo que é só você ao meu lado !.
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Fico pensando: A vida é como o mar: as coisas vão e vêm,... vão e vêm !. Mas, lanço-me sempre na aventura, no sonho e na fantasia, mesmo acordada e sempre acordada, à procura ou a encontro desse Éden que me atrai e me mantém nesse desejo de realizar, que sei que já realizo quando sinto o frescor da brisa que de lá vem acariciando e trazendo uma doce mensagem de sua presença que me faz sorrir, que me faz sentir amada e me faz bem !.
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Vem... vem,... seu sorriso, seu perfume,... seu abraço,... Tudo me faz bem e sinto uma vibração incrível de bem querer, de amar e ser amada, de sentir o mundo em eterna alegria e esta vida de tantas cores que enfeitam a tudo, a minha vida, o meu ser, e o azul do céu refletindo sobre esse maravilhoso mar que traz essas ondas dizendo de nosso amor !
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Ah, se eu pudesse agora realizar apenas um desejo,... eu faria o tempo parar, por muitos minutos, por séculos, para a vida toda e continuar vivendo essa doce e maravilhosa vida eternamente nesse sonho, nessa fantasia, nessa realidade de ter sempre você ao meu lado, como uma onda do mar tão imponente sussurrando baixinho através das que vão e que vêm: amor... amor... amor... !
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Simples assim: apenas um sonho, um desejo e uma vida de amor enquanto a beleza do Azul com tons dourados, tão belo quanto as cores refletidas sobre as águas desse mar que tanto amo em uma delicada e deliciosa noite de esplendor !.
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L' amour est Bleu  - Paul Mauriat
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Raul Ramos Neves de Abreu
27 / 01  2015

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

O CORETO DOS SONHOS


crédito da foto:  Sandra Rocha

música " Three Coins in the foutain "  -  FRANK SINATRA
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Gostaria muito dizer tanta coisa, mas não sei como começar. Hoje a tarde está tão estranha,... Nem parece que há vento no ar: Tudo está parado!

Ontem à noite nós estávamos lá naquela festa e você estava tão radiante,... Eu nunca vi alguém tão linda como você !. Seus cabelos compridos tão sedosos, seu olhar tão meigo e feliz, o seu sorriso...

Acho que me apaixonei por você.

Dançamos aquela música tão linda: “THREE COINS IN THE FOUNTAIN” que queríamos que nunca terminasse. Estava ali tão pertinho de você sentindo o seu perfume tão suave, a sua respiração, o seu coração pulsando e apaixonando o meu..

Não consegui dizer tudo que tinha preparado pra dizer... !. Não é fácil dizer assim, pois sinto uma coisa aqui no peito que me aperta quando vejo você passar, quando me cumprimenta, quando sorri, quando ouço sua voz... Não é fácil assim dizer!

Aprendi esses dias na aula de francês, e só posso dizer em francês, pois eu acho muito bonito e você só vai aprender no ano que vem... Assim, acho que vou esperar todo esse tempo até você saber o que eu disse:

... “ je t´aime mon amour !”

Quando você aprender, talvez então possa responder !. Mas eu gostaria tanto saber agora… !

Estou escrevendo esta carta aqui no Coreto da nossa praça, onde a gente vem sempre com todos os amigos para conversar um pouquinho, falar dos filmes, dos artistas, das músicas, das nossas vidas.

Esse lugar aqui é tão lindo ! É um Coreto dos Sonhos, todo cheio de encantos, de poesia, o jardim parece o Éden ! ... E vivo sonhando com você !.

Ah,... estou sozinho aqui !. Hoje é Segunda-feira, Setembro, na Primavera de 1965. O jardim está lindo... Estou sozinho em meus pensamentos voltados para aquela música que me faz sonhar com você... E tentando dizer o que vai no meu coração!.

Acho até que estou ouvindo uma orquestra filarmônica de mil cordas tocando tão maravilhosamente, inspirando-me a procurar essa fonte cristalina onde possa deixar minhas moedas na esperança de ter você para sempre pra mim !.

... je t´aime !



Raul de Abreu Neto
12 / 10 /2006  14:42

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O JARDIM DO JOÃO PEROBA

Mês de Julho normalmente trazia um friozinho que era sentido logo pela manhã, amenizava um pouco a tarde e gelava à noite!

A cidadezinha ficava ao centro de elevações que não chegavam a ser montanhas. Há quem aposte que ali era uma cratera de vulcão extinto há milhões de anos!

Matas virgens ao redor da cidade. Um riacho de águas cristalinas que nascia bem perto e desaguava numa linda cachoeira em uma cidade vizinha. Uma fonte de água mineral, fresquinha, deliciosa, nascia na pedreira.

Todos os tipos de pássaros sobrevoavam a cidade. Muitas frutas, muita mata.

O jardim da Igreja era magnífico. Arbustos eram podados em formatos de animais.

João Peroba, o jardineiro, cuidava daquele jardim como ninguém cuidava de um próprio filho. E todos admiravam e respeitavam suas criações.

À noite, quem passava por aquele jardim tinha a impressão que estava em um Zoológico, florido, perfumado, bem cuidado – um verdadeiro Shangrilá!

Pela manhã, ou pela tarde, nada era diferente: um Paraíso chamado "Jardim do João Peroba".

Era um homem forte, claro, talvez filho de italianos, de fala mansa, muito educado, de uma sensibilidade artística como poucos.

Jogava futebol em time da cidade. Ninguém jogava como ele, era um grande atleta, forte, leal, irretocavelmente perfeito e ainda por cima um verdadeiro cavalheiro.

Sob o arbusto de uma Lhama, havia bancos com os dizeres: “oferta dos amigos do ECU” – Esporte Clube União, sob outro arbusto, outro banco – “oferta dos amigos do ECO” – Esporte Clube Operário e muitos outros ofertados pelas casas comerciais, por autônomos, políticos, torcedores dos times de futebol do País, etc.

No centro do jardim, havia uma fonte. Circundando, vários bancos e assim sucessivamente. O jardim era um lugar tranqüilo, fresquinho, convidativo para meditação, repouso, leitura, passeio e namorar.

Uma tarde de sábado, dia de festa na cidade, os jovens saíam da Igreja onde houvera uma atividade tradicional da época. Todos alegres, amigos, de espírito elevado e tranquilos.

Um rapaz não resistiu à emoção e decidiu abrir seu coração àquela garotinha de sorriso tímido, olhar tão meigo que estava de mudança da cidade. Ele não imaginava o que seria de sua vida não vê-la mais e, quase sem fala, com o corpo todo tremendo, sentou-se ao lado da garota:
- Sabe,... nem sei como dizer,... mas é que eu gosto tanto de você !
- Eu também gosto muito de você. Você é o meu melhor amigo...
- É, mas eu gosto de você, mais que um amigo, ... não sei nem como explicar!
- Eu também!
- Você também?
- Sim, eu também. Pensei que você nunca iria falar comigo sobre isso... e eu vou embora da cidade.
- Eu sei; pensei tanto nisso. Nem dormi essa noite. Hoje cedo conversei com meu pai e perguntei como é que a gente pede uma garota para namorar !. Ele ficou surpreso e começou a rir; perguntou-me se eu estava querendo pedir alguém e quem era a garota.
Não tive coragem de dizer que era você. Eu disse a ele que um amigo queria saber... Ele respondeu que meu amigo tinha que dizer à garota que ele gostava dela e perguntar se ela também gostava dele!... Você gosta de mim ?.
- Acho que gosto sim.
- Você gosta? Então será que você gostaria de ser a minha namorada?
- Será que vale a pena? Eu vou embora semana que vem... como vamos fazer?
- Não sei dizer, mas eu sei que eu quero que você seja minha namorada.
- Mas,... Eu esperei tanto tempo você dizer isso! Por que só agora?
- Sabe, eu não sabia se você gostava de mim. Por favor, está tão difícil dizer tudo isso!
- Tudo bem,... e como vamos fazer?
- Eu não sei. Só sei que eu quero namorar você. Nunca namorei antes.
- Eu também nunca namorei. Será que as pessoas vão dizer alguma coisa?
- Não sei! Posso pegar sua mão?
- Ah.. não sei! Está todo mundo olhando!
- Só um pouquinho...
- Está bem,...
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Tocaram suas mãos e sentiram uma emoção tão forte, como nunca imaginaram um dia sentir. O coração de cada um daqueles dois jovens acelerava de felicidade!
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- Sabe, você é tão linda...
- Eu também gosto de você...
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Olharam-se com muito carinho e não resistiram ao encanto daquele momento e beijaram-se de uma forma tão pura...
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Os amigos, bem próximos, notaram aquele momento e aplaudiram aquele encontro tão lindo, que os dois ficaram muito envergonhados... mas, aliviados e felizes !
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João Peroba observava em silêncio, com um largo sorriso de aprovação e continuou a dar forma a um novo arbusto, pela primeira vez em forma de coração !
-   o    -


Raul Neves Abreu
Mar - 2006

sábado, 11 de outubro de 2014

VIVER UM GRANDE AMOR !.

Meu nome é Arthur e resolvi neste dia contar uma história que um desconhecido me contou. Achei interessante!. “Existem mais coisas entre o Céu e a Terra do que a nossa vã Filosofia possa imaginar ! ”.
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Certo dia conheci Alberto que trabalhava em uma empresa do ramo de Artigos Esportivos. Depois daquele dia ficamos bons amigos e nos vemos vez em quando. Os amigos o tratam como “Beto”.
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Estávamos em uma lanchonete, pela manhã, e íamos tomar café. A temperatura estava um pouco fria, era Maio, em pleno Outono, mas já se anunciava o Inverno.
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Acho o Outono muito romântico!.
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Beto sentou-se em um banco alto ao meu lado naquele balcão e, todo sorridente, mesmo sem nos conhecermos, foi logo se apresentando e dizendo de suas atividades.
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Não estranhei porque também sempre fui de “puxar prosa” mesmo com desconhecidos e, afinal, Beto era um Representante de Vendas e quem não se comunica não vende nada !.
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Falou de sua empresa e também falei das minhas atividades. Era muito cedo e ele resolveu falar um pouco de sua vida o que, imagino, seria muito interessante registrar para que outras pessoas também conhecessem esse lado “engraçado da vida !”.
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Ele estava eufórico, ansioso, feliz, irrequieto, preocupado, aliviado, sufocado, ... Estava demonstrando todo tido de reação e sentimento de que algo muito importante estava acontecendo em sua vida.Então passou a relatar:
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- Amigo, hoje estou numa alegria tão grande que não consigo ficar calado e preciso urgente desabafar com alguém. Perdoe-me se ocupo seu tempo, mas preciso de alguém que possa me escutar. Meu coração está a explodir de tanto contentamento, minha vida começa a ter nova e novas lindas cores !. ESTOU APAIXONADO !.
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- Mas isso é muito bom, Beto, e como é a sua Princesa ?.
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- Linda. Linda. Lindíssima. Até seu nome soa Poesia:  LUMA !. Mas, antes de falar de sua beleza exterior, preciso contar o porquê de tanta alegria. Considero a maior vitória de minha vida. Andei a vida toda procurando pela Felicidade e, só agora, depois de tantos e tantos anos ela bate à minha porta, como uma Dádiva Divina convidando-me a entrar no Paraíso !.
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- Nossa !. Mas o que aconteceu ?.
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- Pois bem,... !. Há uns 40 anos atrás eu tinha um amigo inseparável e aonde ia um o outro também estava. Seu nome é André e não o vejo há mais de dez anos. Dré, como o tratávamos, um dia apresentou-me uma linda garota de talvez uns treze anos de idade. Seu nome Luma. Dizia ele que era sua prima.
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Imediatamente também fiquei impressionado com aquela garota e também senti uma vontade incrível de aproximar-me com o intuito, talvez, de dizer algo que um dia assisti no cinema:  “ Luma, hoje meu coração encontrou o sentido do que é o amor, a felicidade, a alegria de ter alguém para a vida toda. Você quer se casar comigo ? “.
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Bem, é claro que só pensei tudo isso, pois eu não teria coragem de dizer coisa alguma a ela pelo fato de estar conhecendo-a naquele momento, também por ser prima do meu melhor amigo e principalmente porque a voz estava “presa na garganta”. Só consegui balançar a cabeça e estender a mão como se estivesse dizendo: “muito prazer em conhece-la !”.
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Nunca fui muito “atirado” no sentido de ser um galanteador e namoradeiro, o que nós chamávamos de “vassourinha”. Mas, ...  Dré era muito mais que “vassourinha”, ele era o Armazém completo de “vassouras”, pois só pensava o dia todo em namorar alguma garota. E não era só uma: para ele, acho que inventaram o célebre ditado “Marinheiro tem um amor em cada porto !”.
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Dré tinha uma namorada em cada esquina. E não era seletivo, bastava ser garota e lá estava ele cortejando até conseguir o seu intento. Muitas vezes assisti cenas engraçadas com ele recebendo recusas com xingamentos e até tapas. Mesmo assim, ele ria de tudo e dizia: “ Não existe mulher difícil, existe mulher mal cantada !”.
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Eu não tinha coragem de seguir os seus passos nessa “arte” da conquista do amor !. Sempre pensei que o amor “acontece quando menos se espera” e não é necessário correr atrás, com desespero, só para não ficar sozinho um dia, um mês, ou para ter que dizer aos amigos: “eu tenho uma namorada !”.
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Também nunca iria aceitar a situação de ter alguém que eu não sentisse “aquela coisa” que faz nosso corpo todo sentir a vibração exata que é o sinal do amor !.
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Certa vez recebi uma carta de uma garota de uma cidade do Rio de Janeiro. A moça escrevia, como resposta, que estava sim muito interessada em se corresponder comigo (namorar por cartas), pois havia gostado das fotos que mandei (???).
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Nunca escrevi cartas a garotas que postavam seus nomes e endereços em Revistas da época. Só podia ser coisa do Dré. Fui logo ter uma “boa conversa” com ele e o “filho da mãe” se dobrava de tanto rir de minha reação:
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- Beto, você precisa ter uma namorada urgente, mesmo que seja por correspondência. O tempo passa e até agora você não namorou ninguém... !
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Assim era ele: não se contentava em ter várias namoradas ao vivo e também por correspondências, mas também gostava de “arranjar” namoros para os amigos. Bem, ele realmente era um bom amigo. Um pouco estranho, mas era um bom amigo.
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Naquele delicioso dia em que conheci sua prima, o mundo começou a girar !. Senti aquele sinal, aquela vibração exata do que é o significado de amar alguém, de sentir saudades da pessoa, mesmo que naquele instante ela esteja diante de nós. Eu descobri que era ela que eu iria amar para sempre e só para ela eu iria dizer aquela frase de um Filme Hollywoodiano: “ Você quer se casar comigo ?.
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Dré percebeu logo meu interesse por ela e deu um jeito de imediatamente nos despedirmos da prima, mesmo contra minha vontade. No caminho ele dizia que Luma era a mulher que ele amava, apesar de ter tantas namoradas, e que eu como seu melhor amigo não poderia traí-lo tentando namorar sua prima.
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Tentei argumentar... Afinal, ele tinha tantas e eu nenhuma. E, além do mais, vivíamos dizendo que “é pecado namorar parentes !”. Isso não pode, é um sacrilégio !. Dré então foi logo explicando que há “primas e primas” e aquela prima seria dele e de mais ninguém e, caso eu tentasse alguma coisa, a nossa amizade estaria encerrada ali para sempre.
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Não gostei nada do que ele me pedia, mas...
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Os dias se passavam e ela não saía de minha cabeça !.
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O pior de tudo era que “Ele” também não saía do “meu pé” dizendo: - Beto, não se atreva a ir conversar com minha prima, pois que nunca mais serei seu amigo.
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Viva com um problema desses: “ dos pés à cabeça, o meu conflito Dré e Luma !”.
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Tanta insistência que resolvi atender ao pedido do amigo, apesar de que não foi fácil esquecê-la por mais que tentasse. E nunca a esqueci !.
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Sei que Dré tentou muitas vezes namorar Luma sem sucesso.
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O tempo passou...
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Alguns anos depois, talvez uns vinte anos, encontrei-o novamente. Falamos de nossas vidas, já que cada um havia tomado seu próprio rumo e mudado para cidade diferente. Não resisti e perguntei imediatamente:
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- E aí, Dré ?. Como foi o namoro com sua prima ?
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- Olha Beto, por mais que eu tenha tentado e feito de tudo para conseguir ... ela se casou com outro. Mas eu já me casei com outras várias vezes e estou me preparando para um novo casamento. Você sabe, não é ?, ... sem alianças, papéis e mais nada. Ela vem morar comigo e quando o negócio ficar rotineiro vou para mais um casamento até a aposentadoria... !.
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-  o  -
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- Bem, caro amigo Arthur, você deve estar curioso sobre tudo isso, não é ?.
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- Claro que sim,... conte logo. Afinal estou percebendo que alguma coisa nova está acontecendo !.
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- Então, ... esses dias fui a um Restaurante e lá estava Silvia, uma conhecida de tempos atrás. Sentei-me em sua mesa e começamos a conversar. Ela contou cronologicamente tudo que havia acontecido nesses tantos anos que não nos víamos e, de repente, disse que tinha um grupo de amigas com as quais fazia sempre encontros festivos e, entre elas, sua maior amiga chamava-se Luma.
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Senti um calafrio !. Seria ela a mesma que conheci ?. Tentei disfarçar, mas não resisti e perguntei logo os detalhes sobre essa amiga.
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Você não vai acreditar: era aquela mesma que um dia eu sonhei em dizer: “você quer se casar comigo ?”.
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Silvia mostrou algumas fotos de suas amigas e Luma aparecia em todas em total destaque, sempre radiante com aquele lindo e terno sorriso com que a conheci.
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Claro que perguntei tudo sobre ela e fiquei sabendo que iriam ter um novo encontro nos próximos dias. Disse a Silvia que eu também era amigo de Luma e que gostaria muito revê-la.  Silvia olhou-me com um sorriso desconfiado e irônico:
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- Hummmm, entendi !. Você foi apaixonado por ela, não é ?.
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Não pude esconder a verdade e confirmei que sim, contando toda a história que acabo de narrar a você, caro amigo Arthur. Senti em Silvia certo receio, mas ela informou o número de telefone de Luma.
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Fiquei dias muito aflito, irritado, irrequieto, sem dormir direito, pensando no que fazer com aquele número de telefone, se deveria ou não ligar...!. A indecisão, o medo de uma recusa acabaram me deixando num estado físico e mental irremediavelmente descontrolados.
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Peguei o telefone e pensei: “Seja lá o que Deus quiser !”. Liguei para Luma.
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Gentilmente, delicadamente, atendeu-me. Disse a ela quem eu era, quando nos conhecemos, que era o amigo de seu primo Dré, que havia encontrado Silvia,... etc., sem, entretanto revelar aquele “segredo” de minha eterna admiração por ela. Mal conseguia pronunciar as palavras, exatamente como há uns quarenta anos atrás, mas, desta vez, só nós dois sem aquele “peste” para atrapalhar.
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Luma foi muito solícita, disse ter ficado contente de eu ter lembrado tudo aquilo e que estava também se lembrando de mim, apesar de tanto tempo passado. Demonstrou que poderíamos sim conversar mais vezes, considerando naquele momento apenas o fato de que fomos bons amigos no passado e, ainda, sendo amigo de sua amiga Silvia isso já seria uma boa referência.
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Imagino que ela nem sonhava com o fato de que eu estava querendo me aproximar cada vez mais e tentar dizer a ela tudo aquilo que desde o dia em que a conheci tive vontade de dizer: “ Você quer se casar comigo ?”.
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Nos dias seguintes, mais tranquilo, passei a ligar para ela e nossa conversa sempre era bem alegre, descontraída, sem problemas. E, aos poucos, fui revelando minha admiração e percebendo também que estava sendo bem recebido.
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Apenas telefonemas e mensagens pelo celular !. Vou te contar:
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... “ Olá Luma, considerando que já fomos bons amigos durante nossa infância/juventude, gostaria muito tê-la novamente no rol de meus bons amigos!”.
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... “ Ah,... você é o amigo que Silvia me contou !. Sim, vi sua foto ontem com ela e pensei:  conheço,... de onde ?. Agora ficou claro !. Noooossaaaa... quanto tempo faz isto ?”
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... “ Sim, faz muito tempo !. Dia desses passei de carro em frente a casa em que você morava e me lembrei de você...!”.
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... “ Felizmente aquela casa ainda existe e minha mãe ainda mora lá. Já está com oitenta e oito anos e vive muito bem !. Papai faleceu faz alguns anos, infelizmente !”.
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... “ Fico feliz em saber sobre sua mãe, sinto pelo seu pai. Silvia falou-me sobre você. Ela demonstrou ser muito sua amiga e que gosta muito...!”.
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... “ Sim. Ela também falou de você, não sabia que estava novamente em nossa cidade. Há quanto tempo está aqui de volta ?. Esta terrinha é abençoada: quem viveu aqui sabe como é gostosa. Sou suspeita... !”.
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... “ Vi fotos com Silvia. Você continua belíssima. Seu sorriso é algo incrível. Bem, espero que um dia desses a gente se encontre... Mas, sabe ?,... desde aquela época eu tinha uma forte “queda” por você, mas não conte isso pra ninguém pois quem me conheceu já sabe disso !”.
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... “ Como assim ?. E só hoje me diz isso ?.Naquela época eu tinha apenas treze anos de idade e uma vida pela frente... e você teve essa queda e caiu ?.Por quê nunca me procurou, não se manifestou ?”.
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...” Vai saber,...!. Seu primo Dré era apaixonado por você e me implorava para que eu não me insinuasse com você. Naquela época, amizade era levado muito a sério !”.
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...” Noooosssaaaa... Eu nunca fui apaixonada por ele. Nunca !”.
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...” Sabe, tenho andado um pouco triste à procura de alguém com quem eu possa conversar, trocar pensamentos, brincar, ser Feliz !. Dias desses escrevi sobre isso sob o título: AINDA HAVERÁ NOSSO TEMPO !. Se eu não tive a oportunidade ou a coragem de lhe dizer naquela época que eu a amava muito, saiba que sempre estive pensando em você, sem imaginar que um dia, como hoje, estaríamos novamente conversando !”.
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... “ Lindo o texto que você escreveu !. Simplesmente lindo !. Meu Deus, quantas declarações !!!. Estou boquiaberta... atônita... incrédula !”.
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... “ Você é muito gentil, muito doce. Espero que esses sentimentos sejam bons e não de preocupação. Gostaria de revê-la. Semana que vem poderíamos nos ver ?”.
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... “ Você foi apaixonado por mim um dia ???. E não se manifestou por causa de seu amigo que teve uma paixão Platônica jamais correspondida ????. Não acredito... !”.
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... “ Ah, Platão, Platão !. Quantas vezes ele esteve em meu quarto e dizia: Sonhe com aquela mulher que toca o seu coração e seja feliz por sentir essa paixão, mesmo que nunca a tenha !.... Posso lhe dizer, querida Luma, que acabei me consolando com esse pensamento platônico, mas prometi a mim mesmo que Levaria o tempo que fosse, mil anos talvez e eu tentaria sempre abraçar, sentir, beijar e amar de verdade a mulher que fez meu coração pulsar de alegria, esperança e amor !”.
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...” Deve se lembrar e saber que meus pais sempre foram muiiiiito enérgicos... Não tive a liberdade e sim muitos limites, embora Graças a Deus tenha sido a filha que sempre desejaram. Nunca dei trabalho com nada, namorei pouco, saí pouco e sempre com meus pais e, quando com amigos, com horários pré-determinados. Enfim, jamais poderia imaginar o seu interesse por mim !.”
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... “ Bem,... desejo apenas que saiba que amei muito você, mesmo em silêncio. Se, agora, houver alguma possibilidade de falarmos sobre isso, ficarei realizado. De qualquer forma terei em você sempre uma boa amiga !”.
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... “ É muiiiiitoooo bom saber que a gente foi amada, ... mesmo em silêncio,... o que lamento. Talvez nossas vidas tivessem tomado novos rumos ... mas são os Desígnios de Deus, Ele traça nosso destino !. ”.
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... “ Bem,... acho que já me expus bastante. Não fique brava comigo. Amei você de verdade e nunca a esqueci. Prometo ser um bom amigo, sem constrangê-la, mas, só Deus sabe o que virá pela frente... !”.
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... “ Em nenhum momento fiquei brava,... Imagina. Fiquei perplexa sim, ... jamais poderia esperar tudo isso. Foi bom, massageia o ego, não estou assustada e sim admirada e não tem nada de negativo, pelo contrário, com todas essas qualidades que acabou de enumerar, ... Só posso ficar perplexa mesmo, não há outro termo !.”
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... “ Sei que faltam palavras, não se preocupe com isso. Pense com calma, quem sabe amanhã conversemos novamente. E, se quiser, irei correndo ao seu encontro. Beijos !”.
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... “ Ligue novamente. Há muitas coisas para serem ditas !”.

- o –
- Bem, meu amigo Arthur, estou no fim da minha história. Conversamos inúmeras vezes ao telefone mas ainda não nos encontramos pessoalmente. Isso deverá acontecer nos próximos dias. Acabamos nos afeiçoando muito, a ponto de trocarmos palavras de muito carinho e até dizer a palavra: “ Amor “.
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Ela revelou tudo isso à sua família, mãe e filhos que também ficaram impressionados com a história e interessados em saber como vai continuar...
Só para você ter uma idéia, em nosso último contato telefônico de ontem, terminamos dizendo:
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... “ Os Anjos estão conspirando a nosso favor... estou amando tudo isso, estou me sentindo uma adolescente !.
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... “ E eu, doido de vontade de te abraçar, olhar bem em seus olhos e beijar muito,... muito... Que vontade !”.
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... “ Também gostaria muiiiiito,... Será breve se Deus quiser e ELE quer ! Com certeza vou esperar. Posso? Não vai desistir ? ”.
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... “ Não Luma, não vou desistir. Vou insistir. Quero muito com você, VIVER UM GRANDE AMOR !”.
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... “ Nossaaaaa.... ameeeeeiiii ... Acredita que até me arrepiou ? Nossa história daria um bom livro,... um filme,... uma novela. Lindoooo demaissss... amei tudo e estou amando você . Jà estou com saudades,... sinto que já tenho você. ! “.
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... “ Luma, pensar em você é sonhar com o Amor !. Lembra a paixão de Vinicius de Moraes: ....Eu sem você, sou só desamor. Um barco sem mar e um campo sem flor !... TE AMO ! “.
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... “ Eu sei outra:  ... Eu sei que vou te amar, por toda minha vida eu vou te amar..!.EU TE AMO  !”.

TOM JOBIM -  EU SEI QUE VOU TE AMAR
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-  o  -
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- Meu caro amigo Arthur este é o final da primeira parte de minha história que vai se reiniciar nos próximos dias. Vamos nos encontrar !. Não sei o que será e, como naquele dia de tantos anos atrás, estou eufórico, ansioso e amedrontado.
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Esta noite tive um sonho:  Ela veio ao meu encontro vagarosamente, olhou-me serenamente, abraçou-me e começou a me beijar. Beijamo-nos profundamente, com todo sentimento de bem querer e fizemos amor, tão delicado, sublime, inesquecível !. 
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Torça por mim !.
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Quero passar por esta vida e que Deus me permita VIVER UM GRANDE AMOR  ! .
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... Aquela Montanha está lá há milhões de anos e nós estamos aqui de passagem !. Mas o meu amor por você também será eterno e daqui a outros milhões de anos poderão olhar e dizer: Ali naquela Montanha, habitam dois eternos apaixonados !
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Raul Ramos Neves de Abreu
02 Janeiro 2015

sábado, 13 de setembro de 2014

I won't you let leave my love behind

Lembrando o dia em que saí de casa.

Acabara de completar 15 anos de idade e estava partindo para continuar a estudar em outra cidade, pensando que voltaria logo pra casa...(nunca mais voltei) !.

O Trem partia as 10:00 h mas eu já estava na estação, ansioso, quase uma hora antes. E lá, até o Trem chegar, ficava andando sem parar "de lá pra cá" irriquieto e conversando com as pessoas que perguntavam o que eu iria fazer ou outras coisas que nada me animavam. Afinal, eu não estava partindo porque queria deixar minha casa, mas sim porque era preciso ir para outra cidade e continuar minha vida em busca de uma formação profissional.

A viagem não era longa mas havia tantas paradas nas pequenas estações dos vilarejos até a grande cidade e, por isso, íamos admirando cada lugar diferente e observando as pessoas que, em cada uma, ficavam esperando a embarcação só para acenarem aos viajantes que por ali tantas vezes passavam.

A paisagem era linda: tempo chuvoso e todas as plantações cheias de vida, as árvores viçosas, as flores brilhantes, os animaizinhos felizes, os pássaros cantando... Fiquei o tempo todo olhando pela janela do trem tudo aquilo tão maravilhoso e fui esquecendo o que deixava para trás.

Como será minha vida na nova cidade ? Sim, eu sabia que lá estavam meus avós, tios, primos e alguns amigos, mas não era onde eu ficava totalmente a vontade por considerar "O MEU LAR , A MINHA CIDADE " !.

Ansiedade, medo, curiosidade... Mil coisas passavam em meus pensamentos. Ah,... longe de casa eu deixaria uma grande chance para que algum amigo "roubasse" aquela garota que eu tanto sonhava em um dia ser minha namorada, quem sabe, para a vida toda... eu não iria encontrar ninguém, nunca, tão maravilhosa quanto ela... !.

Quando cheguei ao meu destino a Estação do Trem era grande, bonita,... havia até lanchonetes para se tomar um refrigerante ou um salgadinho, lanches, havia muita gente bonita, gente de muitos lugares e até de outros Estados do Brasil, havia pessoas estrangeiras estranhas que nunca tinha visto senão apenas em revistas, havia Índios, Japoneses, Alemães, Americanos, ... Na minha cidade havia apenas meus amigos que eram descendentes de italianos ou portugueses mas que em nada pareciam estrangeiros. Ah,.. lembro agora, havia também apenas alguns "turcos" que tinham lojinhas e que mais tarde descobri que não eram "turcos" mas sim que eram descendentes de Sírio-Libaneses. Mas também havia descendentes de judeus que nunca disseram que eram judeus e só fiquei sabendo de suas origens muitos e muitos anos depois.

Até meu tio era judeu e nem minha tia sabia. E também descobri por uma foto antiga que estava na gaveta de uma grande camiseira que aquele homem de barba preta comprida e um chapelão preto não era outra coisa senão um Rabino que era Tataravô de minha mãe.

Quanta coisa descobri ao longo da vida...

A Estação em Ribeirão Preto era linda e muito grande. Não havia ninguém de minha família me esperando... Fiquei nervoso e com muito medo, a cidade era muito grande.

Havia Táxis à espera dos viajantes e até algumas charretinhas puxadas por cavalos. Eu ainda não sabia andar direito naquelas ruas até a casa de meu avô e também não sabia se meu dinheiro daria para pagar o táxi. Então, tomei a charretinha e fui até a casa de vovô. No trajeto fiquei observando as pessoas, muitas pessoas pelas ruas... pessoas bonitas, bem arrumadas, apressadas,... as ruas todas com calçamentos,... tudo muito diferente da minha cidade, estudantes uniformizados saindo de suas escolas...

- Amanhã, pensei, meu tio vai me levar à escola onde irei conversar com o Diretor. Vou ter que fazer um exame escrito ou oral para tentar uma vaga naquela escola !...

O Diretor era um homem grande, forte, sério... Senti tremedeira e comecei a gaguejar quando começamos a conversar. Pediu-me que mostrasse o Histórico Escolar o que fiz prontamente. Ele leu, releu, olhou tudo, olhou tudo de novo e, finalmente comentou:

- Você só tem ótimas notas !. Não precisa fazer exames, sua vaga já está garantida e você já pode começar as aulas !.

Meu tio ficou muito orgulhoso e feliz e disparou muitos elogios abraçando-me com muito carinho. Claro, eu fiquei muito contente com tudo aquilo pois temia causar alguma decepção já que eu vinha de uma cidade tão pequena e, até então, não me sentia à altura dos estudantes daquela cidade que eu imaginava fossem exemplares alunos.  Ledo engano, descobri mais tarde:  eu realmente era um excelente aluno e sabia muito de todas as matérias e até falava corretamente os idiomas Inglês, Francês, Espanhol,... enquanto que aqueles daquela grande cidade mal pronunciavam uma palavra ou outra em outro idioma, claro com raras exceções !.

Voltei pra casa de vovô que já me aguardava ansioso... Pensei:  "eu sou o máximo" e vovô vai ficar muito feliz !.

E foi assim mesmo: meu tio, primeiro passou em sua casa contou tudo para titia e meu primo que já fazia a Faculdade e em seguida fomos todos dar a notícia a meus avós. Foi uma grande festa, meu coração disparado de alegria e emoção !.  Meus avós não se continham de felicidade e imediatamente começaram a ligar para meus pais, parentes e amigos para contar tudo aquilo maravilhoso que estava acontecendo !.

UFAaaaa.... ! Que alívio !. Toda aquela ansiedade, o medo, toda aquela sensação estranha que tomava conta de mim desde aquele momento em que cheguei à Estação do Trem da minha cidade começou a se desfazer a partir daquele instante. Agora, pensei, falta encarar os novos colegas na escola e conseguir ser aceito por eles !.

Dona Herculina era a Professora de Inglês. Era muito inteligente, muito alegre e muito bondosa, além de muito compreensiva.

Eu estava sentado em uma carteira no meio de uma fileira pois ali naquele colegial (Científico) as garotas ocupavam todas as carteiras da frente e os rapazes sentavam-se somente nas carteiras seguintes. Na minha frente sentava-se uma garota loirinha de nome Maria Lúcia. Ela era tímida, muito estudiosa e muito boazinha e ficamos bons amigos.

Certo dia, Dona Herculina foi chamada para uma reunião de professores com o Diretor. Então ela voltou-se para a classe e perguntou aos alunos se alguém poderia continuar dando a aula de Inglês enquanto ela estivesse na reunião... Bem, como ninguém se manifestou - claro que por medo, ela que já conhecia mais ou menos os alunos, convidou-me para substituí-la... Que sorte: eu adorava Idiomas e sabia tudo de Inglês e, para melhorar, a aula era apenas de gramática, coisas simples que pude apresentar sem problemas.

Eu era filho de Professora, sobrinho de professores e já havia dado aulas particulares de várias matérias, inclusive Idiomas, para meus colegas de Ginásio.

SUCESSO: as garotas do Científico ficaram maravilhadas com minha aula e já ficaram minhas amigas, enquanto que os rapazes ficaram com muita inveja e não muito meus amigos. Dona Herculina gostava muito de mim e dizia que sempre que ela não pudesse dar aulas eu deveria substitui-la !.

Voltei pra casa e contei tudo a meus avós e tios... Ganhei um uniforme novo, roupas novas e até um par de sapatos novinho que meu avô, muito orgulhoso, fez questão de comprar. Apesar que eu não era o neto mais velho, sempre fui o preferido pois, além de morar com meu avô, tenho o mesmo nome dele.

Passei logo mais a fazer parte de um Grupo de Teatro do Colégio, de um outro grupo de música que tinha uma banda e do time de futebol. Em tudo esmerava para ser o melhor !. Fiz muitos amigos logo, já não era um estranho em tão pouco tempo e já não me lembrava com tanta saudade daquele dia que cheguei à Estação do Trem tão triste por deixar minha cidade e meus amigos. Nova vida se iniciava naqueles momentos, muitos planos, muitas atividades, muita alegria !.

Certo dia, em Setembro um colega de nome José Berdu, morador de Franca, convidou-me a passar o final de semana na praia, em Santos, pois ele tinha tios que moravam lá. Eu nunca tinha visto o Mar e ficava imaginando:  " será que as águas do mar são azuis mesmo ? ".

Berdu era um bom amigo, então convenci meus avós a me deixarem ir naquele passeio onde também foram outros colegas do Científico. Fomos de ônibus até São Paulo e de lá em outro ônibus até Santos.

Quando estávamos chegando em Santos, minha emoção era tanta que parecia que meu coração ia pular pela boca:  Eu nunca tinha visto o Mar !.

Já na descida da Serra avistava-se o mar, mas eu não podia ter boa noção pois era uma visão muito distante... Chegando na cidade, em uma avenida que terminava na avenida do mar,... avistei pela primeira vez aquela imensidão nas águas do mar que ia e voltava, que ia e voltava e assim dando compasso à minha respiração ofegante e às batidas do meu coração !.

Quanto progresso:  Alguns dias atrás eu brincava nas ruas mal calçadas de minha cidadezinha ... !.

Os parentes de José Berdu eram argentinos, mal falavam o português. Então descobri naquele dia que também os pais de Berdu eram argentinos e, portanto, Berdu foi o primeiro Argentino que conheci e que nunca desconfiei que não fosse brasileiro. Engraçado, uma coisa tão simples, tão boba e eu ali dando tanta importância tentando dialogar com seus tios no idioma castelhano já que eu também havia aprendido no Ginásio. Fiquei em êxtase:  pela primeira vez na vida eu conversava com um estrangeiro no idioma do estrangeiro !. E eles ficaram admirados e muito contentes com aquilo e, imagino que, por tal situação, prepararam uma mesa com um farto lanche com muitas frutas, pães, salgados, bolos e um tal de "ramón" que eu jurava que era um presunto mal passado (risos) !.

Foram cinco dias maravilhosos em Santos na casa dos tios de Berdu.

Já no primeiro dia, fomos à praia: Engraçado, havia um lugar onde as pessoas trocavam de roupas e alugavam uma pequena "cabine" (um pequeno armário) para deixar roupas e pertences. Nunca imaginei uma coisa dessas.


Na praia, muitas pessoas tomando sol, banhando naquelas águas  " QUE NÃO ERAM AZUIS", jogando futebol, volei e outras brincadeiras, fazendo piquenique (famosos frango com farofa), ouvindo músicas, dançando, cantando... QUE MUNDO ENCANTADO que eu não imaginava existir.

As garotas !. Ah, as garotas !. Elas usavam maiôs, algumas já usavam biquinis,... aqueles corpos lindos bronzeados... Eu nunca tinha visto uma garota de maiô, menos ainda de biquini "ao vivo", pois minha cidade não tinha praia, não tinha clube com piscina,... só as Revistas como O CRUZEIRO que por vezes mostravam fotos discretas de algumas Celebridades Nacionais ou Internacionais.

Ah que garotas lindas de biquini !.

- Ei rapaz, seu queixo vai cair. Você é mesmo um "CAIPIRA" ! Nunca viu uma mulher de biquini ?
- Não Berdu, eu nunca vi.
- Nunca foi ao Clube em Ribeirão ? Lá está cheio de garotas...
- Não, ainda não fui. Não sou sócio. Mas meu tio é e quando voltarmos vou pedir pra ele...
- Então relaxa e vamos tomar um suco...

Andando pela praia, avistei uma linda garota saindo das águas com biquini vermelho que não era possível não ser notada. Parei e fiquei admirando...  Ela percebeu e começou a sorrir...

Nossos amigos resolveram jogar vôlei de praia. Eu não conseguia me concentrar naquele jogo pois aquela garota estava sentada perto de nós e nos observava.

Meus amigos também notaram que ela olhava para nós. Então, cada um já imaginou ser o responsável pelo interesse da moça. Bem,... eu também achei que o assunto não era nada comigo e fiquei olhando a moça que continuava sorrindo.

- "Caipô"... ô "caipô" ela está dando bola pra você, vai lá conversar com ela. Vai lá "caipô".

Bem, eles estavam me tratando de caipira porque eu não conhecia tantas coisas que passei a conhecer com eles e assim, por eu ser "tão caipira", quero dizer, ignorante, passei a ser chamado de "caipô" !. Mas, será que ela estava mesmo olhando pra mim ?. Com muito medo, mas tentando provar aos meus amigos que eu era "o máximo" fui lá conversar com ela.

- Oi, tudo bem ?
- Oi, tudo. Notei que você estava me paquerando...
- Paquerando ? Eu ?
- Sim, você. Como se chama ?

Assustado, olhei para trás onde estavam meus amigos. Eles todos parados olhando o que iria acontecer e, com certeza, apostando que eu iria me dar mal com aquela moça.

- Eles me chamam de "Caipô" porque eu nasci em uma cidadezinha muito pequena perto de Ribeirão onde estou estudando. São meus colegas do Científico... Meu nome ?
- Sim, como você se chama ?. Sabe eu também estava olhando pra você,... você tem cabelos muito bonitos, loiros, você é legal !.
- Sou ? Você acha ?
- Você tem namorada ?.
- Bem,... não, não tenho, mas,...
- Eu também não tenho namorado. Terminei com meu namorado já faz tempo...
- Ah,... é ?. E você mora aqui ?.
- Não. Eu moro em São Paulo mas temos um apto. aqui em Santos.
- Seus pais estão aqui com você ?
- Não. Meu pai é falecido. Minha mãe está em casa. Ela não gosta da praia e está fazendo almoço.
- Ah,.. legal...
- Você vai almoçar onde ?
- Não sei. Talvez na casa dos tios do Berdu ou então vamos tomar um lanche em algum lugar...
- Você não gostaria de almoçar em minha casa ?. Aposto que minha mãe vai gostar de você !.
- Bem,.. não sei... Meus amigos...
- Deixa eles pra lá, estou vendo que eles estão apostando que você não ia conversar comigo.
- É, você tem razão. Então tá. Vamos lá. Mas é longe ? Eu não sei voltar...
- Não se preocupe, diga a eles que vai almoçar em minha casa e que depois voltaremos aqui...

Fiquei ofegante !. Estufei o peito, mexi nos cabelos fiz uma pose de Alan Delon e fui conversar com meus amigos:

- Olha aí seus idiotas: ela me convidou pra almoçar na casa dela. Vocês vão comer pão com mortadela que eu vou comer uma lasanha !.

Ficaram boquiabertos olhando-nos saindo da praia em direção ao prédio aonde estava sua mãe.

- Mãe, esse é meu amigo que conheci na praia. Ele veio almoçar conosco. Ele é de Ribeirão Preto.
- Ah, meu filho. Você é de Ribeirão Preto ? Nossa, tenho parentes lá, quem sabe você os conhece...
- Bem, Senhora, sou novo em Ribeirão. Não conheço ninguém ainda além de meus colegas de escola.
- Ah, mas minha família é grande. Meu ex-marido nasceu lá...
- Quem sabe ? Talvez eu conheça...

Ela citou vários nomes e, infelizmente, eu não conhecia mesmo...

O almoço estava uma delícia, o ambiente muito familiar e respeitoso. Dona Marisa era Evangélica e em tudo que dizia demonstrava suas convicções religiosas  o que me fez pensar muito no respeito que eu deveria ter com ela, com sua casa e principalmente com sua filha. Foi por isso que entendi porque aquela moça - Eliane, era tão educada e atenciosa:  ela era muito religiosa e muito carinhosa !.

Após o almoço, voltamos à praia onde meus amigos já nos esperavam. Fomos ao encontro deles e apresentei Eliane a todos. Ficamos horas conversando juntos, brincando, entrando e saindo nas águas do mar... até que ao final da tarde Eliane despediu-se de nós e convidou-me para ir ouvir músicas.

Bem,... imagino que possam imaginar o que eu estava sentindo com tudo aquilo acontecendo sem esperar e, mais ainda, o que meus amigos que me tratavam como "caipira" estavam imaginando ao meu respeito: " aquele safado disse que é o Alan Delon, e nós aqui mordendo os dedos... !".

Eliane era uma linda moça. Pele bronzeada, faces rosadas, olhos verdes, um corpo maravilhoso !. Estava vestindo uma saia florida que marcava bem seus contornos... Um perfume suave e discreto... Sua mãe sempre em roupa preta, como se estivesse sempre de luto, porém tranquila e sorrindo.

Eliane tinha um pequeno "toca-discos" portátil e colocou um disco para ouvirmos !. Era um dos sucessos da época que mais tarde veio a ser o tema de um filme muito famoso com Dustin Hoffman e John Voight - "Midnight Cowboy ! ".

Eu ainda não tinha ouvido aquela música e comecei a traduzir a letra enquanto ouvia... Eliane então convidou-me para dançar. Enquanto iam cantando a música eu ia traduzindo a letra a seus ouvidos... !

Dona Marisa ficou observando e, certamente, preocupada com o que estava acontecendo:  estávamos dançando cada vez mais perto um do outro com nossos corpos colados sem má intenção ou que percebêssemos a situação !.

A música parou de tocar e continuamos ali abraçados, em silêncio, atônitos com os olhares fixos um no outro... !.

Pensava naquela música tão envolvente e em sua letra, enquanto ainda mantinha Eliane em meus braços... Parecia contar minha história até aquele momento, desde que deixei Tambaú - minha querida cidade natal, não em um ônibus, mas em um Trem - que só me mostrou maravilhas pelo caminho, ... nos meus amigos que lá deixei, meus lugares secretos onde ia brincar, o clube onde ia dançar, meus professores, meus sonhos, minha vontade de beijar aquela garota que lá deixei,... os meus novos amigos em Ribeirão, os desafios porque passei para ser aceito, o quanto me esforcei para não decepcionar meus pais, avós, parentes e amigos, aquela primeira viagem sozinho a Santos,.. a praia, o Sol, o Mar,... Eliane em meus braços, ... e aqueles amigos lá fora pensando não sei o quê de mim, mas certamente com muita inveja !.

A música dizia o que na verdade estava acontecendo em minha vida:

-   " Deviam estar me observando, falando de mim, embora eu não pudesse ouvir suas vozes mas pudesse entender o que queriam dizer, apenas pela sombra de seus olhos, enquanto eu ali, sem nunca ter planejado, sentindo o Sol brilhando e refrescando-me nas águas daquele mar e ao som de uma linda música dançando com uma princesa - Eliane, que acelerava meu coração e minha mente e tudo era um grande eco de felicidade ... motivando-me a não deixar meu amor para trás. Eu sei que estão falando de mim,... não importa o que estejam falando porque eu não vou deixar meu amor passar  ! ".

Eliane  -  crédito: alessandroguerriero.fotosearch.com.br



Everybody's Talkin'   -  Midnight Cowboy - Harry Nilsson

Raul Ramos Neves de Abreu
      23 Agosto 2015